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>> Dicas >> Investimentos >> 10 anos do Tesouro Direto
10 anos do Tesouro Direto


batido o martelo: a partir de junho, os investidores que aplicam em renda fixa via Tesouro Direto - sistema de compra e venda de títulos públicos pela internet - passarão a contar com uma série de facilidades na hora de negociar os papéis. As novidades vão desde a redução do mínimo necessário para aplicar até o agendamento para aquisição de papéis, passando pelo reinvestimento automático dos recursos provenientes do pagamento de juros (cupom) ou na data de vencimento do título.

Conforme adiantou o Valor em outubro do ano passado, os valores mínimos e máximos para aplicar no Tesouro Direto serão alterados neste ano. Além disso, o investidor terá acesso a uma série de ferramentas para facilitar a compra e a venda de papéis. Faltava, no entanto, definir com certeza quando essas mudanças chegariam ao investidor e, segundo André Proite, gerente de relacionamento com investidores do Tesouro, isso deve ocorrer no início de junho.

Criado em janeiro de 2002, no aniversário de dez anos do Tesouro Direto, o que se vê até o momento é que o sistema apresentou um crescimento exponencial no período. Para se ter ideia, no primeiro ano do programa, o total de investidores cadastrados foi de apenas 5.854. Já no ano passado, o número de novos aplicadores que aderiram ao sistema chegou 61.716 - a maior marca anual desde o lançamento. Atualmente, 276.373 investidores estão cadastrados no programa e o estoque de títulos em poder dos pequenos investidores encerrou 2011 em R$ 7,508 bilhões.

No ano passado, o número de investidores efetivamente com saldo em conta no Tesouro Direto cresceu na faixa de 50%, diz o gerente de relacionamento. Em dezembro de 2010, dos aplicadores cadastrados, 51.353 mantinham algum saldo em papéis públicos adquiridos pelo sistema. Isso significa que, se esse crescimento se confirmar, serão mais de 77 mil investidores com recursos aplicados no programa. Em 2011, a queda no mercado de renda variável acabou naturalmente atraindo o investidor para a renda fixa, afirma Proite. "Há, no entanto, complementaridade nos dois tipos de investimento", diz ele.

E a expectativa do Tesouro Direto é que a expansão se mantenha num ritmo forte dado que vai ficar mais barato investir no sistema. Hoje com cerca de R$ 100,00 já é possível comprar títulos públicos, mas o valor ficará ainda menor: R$ 30,00. Já o máximo, de R$ 400 mil, será elevado para R$ 1 milhão. A redução vem justamente para viabilizar melhor as operações de compra programada, reinvestimento automático e agendamento das aplicações, afirma Proite.

No caso da compra programada, o investidor conseguirá agendar compras ao longo de um período definido, com o valor e a frequência desejada por ele. Essas aquisições poderão ser de um único tipo de título ou de uma cesta de papéis. Será possível ainda realizar agendamentos para venda dos papéis já presentes na carteira do investidor.

O investidor poderá também reaplicar automaticamente os recursos provenientes de pagamento de juros (cupom), ou quando ocorrer o vencimento do papel. Esse reinvestimento poderá ser feito no mesmo título ou em um papel de outro tipo e vencimento. Para estimular a reaplicação dos recursos, a bolsa dará desconto de 100% na taxa de negociação, que é cobrada a cada compra.

De acordo com Proite, o Tesouro e a bolsa buscam uma forma mais fácil de o aplicador fazer o pagamento dos títulos adquiridos no programa. Hoje, ao comprar um papel, o investidor precisa fazer uma transferência para a corretora, que debitará de sua conta. "Quando se trata de uma corretora de banco onde o investidor já tem conta, fica mais fácil; queremos melhorar isso, criar facilidades", afirma Proite.

A maior popularização do Tesouro Direto nesses dez anos também pode ser vista no volume de vendas. Em 2002, o total de títulos vendidos somou modestos R$ 76,08 milhões. Já no ano passado, as vendas atingiram R$ 3,539 bilhões. E o resultado de 2011 mostra que o total de papéis vendidos quase cresceu quase 50% no ano passado - em 2010, as vendas somaram R$ 2,235 bilhões. "Embora o volume tenha crescido bastante, ele ainda é pequeno e tem um potencial grande para aumentar", diz o gerente de relacionamento do Tesouro.

Nesses dez anos do programa, pode-se ver uma importante mudança no comportamento dos investidores. Antes, os títulos com juros prefixados, as Letras do Tesouro Nacional (LTN), eram mais os demandados. Agora, são os papéis atrelados à inflação, como as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B). Os números mostram que, em 2002, 50,25% dos títulos vendidos eram as LTN, enquanto 37,15% eram as NTN-C (indexadas ao IGP-M e que não são mais vendidas). Em 2010, 51,06% dos papéis vendidos foram NTN-B e 31,12%, LTN.

À medida que o investidor foi se familiarizando com o programa e com os títulos, os papéis indexados à inflação passaram a dominar o estoque, diz Proite. Atualmente, o papel preferido dos investidores é a NTN-B Principal, papel com rentabilidade vinculada à variação do IPCA com pagamento de juros somente no vencimento.

No ano passado, a BM&FBovespa lançou um programa de incentivo financeiro aos agentes de custódia ligado à evolução da base de investidores. O incentivo é dado às corretoras conforme a evolução da base de investidores com saldo em todo o Tesouro Direto. A intenção da bolsa é, além de popularizar o programa, estimular os agentes de custódia a investir em programas de divulgação e fomento do Tesouro Direto.

Colocado em prática no início de 2011, o programa distribuiu R$ 2,7 milhões no primeiro semestre e o valor relativo à evolução referente à segunda metade do ano deve ser muito próximo a esse total, afirma Proite. Os valores são proporcionais ao crescimento do número de aplicadores com saldo na instituição no período, na forma de crédito nos pacotes de serviços que os agentes de custódia pagam para a bolsa.

Por Luciana Monteiro | De São Paulo

Valor Econômico - 25/01/2012






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