Aumentam as opções de fundos imobiliários
Mercado oferece
hoje 94 fundos que ganham com o financiamento de empreendimentos ou com a
cobrança de aluguéis
Com R$ 2.000 já é possível adquirir
cotas de um fundo do setor; especialistas dizem que taxas são baixas, mas
rentabilidade varia muito
Não tem dinheiro para comprar um apartamento? Já existem opções no mercado
que permitem investir no setor imobiliário sem que se precise,
necessariamente, adquirir o imóvel. Com menos de R$ 2.000 é possível ficar
sócio de um shopping center
ou de um prédio da Petrobras.
Aplicações desse tipo são
feitas por meio da compra de cotas de fundos de investimentos imobiliários,
que lucram financiando a construção de empreendimentos ou com a cobrança de
aluguéis.
Para o investidor, o fundo paga uma remuneração mensal. Ele também pode
ganhar com a valorização das cotas, que são negociadas na Bovespa ou em
mercado de balcão organizado.
Além de estarem mais
acessíveis, os fundos apresentam outras vantagens em relação aos imóveis. Um
exemplo: a compra de cotas não inclui gastos com cartório, corretagem ou ITBI
(Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis)
Para Sérgio Belleza, especialista em fundos imobiliários, as taxas de
administração dos fundos também são atrativo, em torno de 0,5% ao ano, bem
abaixo da média das outras aplicações do mercado.
Segundo ele, há também
incentivos tributários. "A rentabilidade mensal é isenta de Imposto de
Renda, caso a pessoa física possua menos de 10% das cotas e o fundo tenha
mais de 50 investidores", diz Belleza.
Contudo, é preciso ler
atentamente o prospecto dos fundos e o termo de securitização antes de comprar
as cotas, para saber quais são os compromissos do fundo e seus riscos.
O lucro com a venda das
cotas, no entanto, é tributado em 20%, explica Romeu Pasquantonio,
especialista da Brazillian Finance
& Real Estate.
Levantamento feito pelo
site www.fundoimobiliario.com.br
com 17 fundos negociados há mais de um ano na Bovespa mostra que a
rentabilidade total (rendimento mensal mais valorização das cotas) acumulada
de abril de 2009 a
abril de 2010 varia muito.
O mais lucrativo no
período foi o ABC Plaza Shopping (66,7%), seguido do Continental Square Faria Lima (49,74%) e do Hotel Maxinvest
(42,90%) -todos com valorização acima do Ibovespa
(42,80%). Na ponta oposta, estão Shopping West Plaza
(9,80%) e o Projeto Água Branca (9,44%).
Alta de 40%
Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o setor cresceu cerca de 40%
no último ano. Hoje, existem 94 fundos, totalizando patrimônio superior a R$
5 bilhões.
Isso porque, há dois
anos, esses fundos ganharam flexibilidade para aplicar não só em imóveis mas em outros ativos, como Cédulas de Crédito Imobiliário
(CCIs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Esses papéis, lastreados em financiamentos
imobiliários, remuneram com o pagamento de juros e a amortização do
empréstimo.
Na sexta-feira, a BM&FBovespa e a Arisp (Associação dos Registradores de Imóveis do Estado
de São Paulo) assinaram um convênio para dar mais segurança e transparência
aos investimentos em CCI e CRI.
A parceria permitirá que
o investidor consulte a situação jurídica e fiscal do imóvel, saber se está
penhorado, por exemplo. "O objetivo é dar segurança para que esse
mercado cresça. O crédito imobiliário representa 3% do PIB do Brasil. No
México, é 14%. Em países desenvolvidos, mais de
60%", diz José Gragnani, diretor executivo de
Fomento de Negócios da BM&FBovespa.
Autor(es): MARIANA SCHREIBER - DA REPORTAGEM
LOCAL
Folha de S. Paulo - 17/05/2010