Bancos se armam nas redes sociais
Reclamações
de clientes em relação a serviços prestados por bancos sempre existiram. Mas
o advento das redes sociais parece ter conferido à exposição negativa dos
bancos progressão geométrica. Na tentativa de arrefecer os ânimos dos mais
exaltados e solucionar atritos, os bancos lançam mão dos mesmos canais onde
são contestados - o Twitter e o Facebook.
Na
sexta-feira da semana passada, o Santander, que já conta com um serviço de
apoio ao consumidor (SAC) no Twitter, lançou a
plataforma interativa "Santander Responde", hospedada
no perfil do banco no Facebook. Por meio de sua
assessoria de imprensa, o Santander informou que tem um índice de resolução
de ocorrências por meio do Twitter e Facebook de 84% e espera aumentar ainda mais o alcance
com a nova ferramenta.
Luca
Cavalcanti, diretor do Bradesco Dia e Noite, lembra que os clientes
normalmente compartilham suas "infelicidades" com os amigos, e não
com o banco. É o serviço de monitoramento da instituição financeira que entra
em contato com o reclamante. "Identificamos uma queixa e interagimos em
até cinco minutos", diz Cavalcanti, que conta com uma equipe de 15
pessoas para cumprir a missão. Solucionado o problema, o Bradesco então convida
o correntista a segui-lo no Twitter. O perfil
"Alô Bradesco" do banco no microblog
apresenta, em média, de 400 a 500 "interações" diárias e conta com
7,5 mil seguidores.
Uma
pesquisa da Nielsen Global de 2009 oferece uma boa medida da importância que
as mídias sociais vem ganhando nas empresas. O nível
de confiança do consumidor nas recomendações on-line é de 71% e sobe para 90%
se for feita por um conhecido, enquanto a confiança nas formas tradicionais
de mídia fica na casa dos 60%.
"O
consumidor ganhou mais voz nas mídias sociais e as empresas ainda precisam
lidar com a velocidade que as informações proliferam", diz Eduardo Tracanella, superintendente de marketing do Itaú
Unibanco. E é bom que os bancos estejam preparados. O especialista em
marketing digital Thales Brandão organiza, para julho, uma mobilização no Twitter contra o Itaú e o Santander por conta de uma
decisão recente do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro exigindo o
ressarcimento de R$ 430 milhões a clientes dos dois bancos por cobranças
indevidas.
Valor Econômico - 30/06/2011