Pesquisa do Idec mostra como instituições
se comportaram desde que o Banco Central adotou norma para cobranças, em
abril de 2008
Três anos depois de o Banco Central (BC)
adotar normas para padronizar as tarifas bancárias, o Instituto Brasileiro de
Defesa do Consumidor (Idec) fez um levantamento que chega a três conclusões
principais: o pacote que inclui vários serviços ficou até 124% mais caro; as
receitas dos bancos com tarifas subiram, em média, 30%, acima da inflação de
18% do período; e as queixas ao BC sobre o tema continuaram crescendo.
"A padronização das tarifas foi
positiva, pois organizou a nomenclatura para os clientes", disse a
gerente jurídica do Idec, Maria Elisa Novais. "Mas ainda falta clareza
para o consumidor, que não sabe bem o que pode ter gratuitamente e se o
pacote oferecido é adequado para seu nível de renda", exemplificou.
O levantamento, obtido com exclusividade
pelo Estado, engloba as sete maiores instituições financeiras de varejo:
Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, Caixa, HSBC e Banrisul. Segundo o
Idec, uma cópia do trabalho foi entregue ao BC na terça-feira da semana
passada. A assessoria do BC confirmou o recebimento, mas observou que, até
ontem, o documento não havia sido encaminhado à área responsável por essa
regulamentação, o Departamento de Normas.
A pesquisa revela, por exemplo, que o
Pacote Simples para correntistas do Santander saiu de R$ 8,90 por mês em
abril de 2008 (quando a norma passou a vigorar) para R$ 19,90 em março. É uma
alta de 124%. Procurado, o banco informou que "os valores auferidos em
2008 e em 2011 não correspondem ao mesmo pacote de serviços". "O
atual pacote tem inúmeros serviços e vantagens adicionais."
Outra revelação é que, na média, as
receitas dos bancos com tarifas cresceram 30% entre dezembro de 2008 e
dezembro de 2010 (as datas são diferentes porque o Idec, neste caso, utilizou
os balanços anuais divulgados pelas instituições). A Caixa foi o banco que
teve a maior expansão no intervalo: 83%.
O Idec também constatou que, apesar das
regras, as queixas em torno de tarifas continuaram a crescer - segundo
analistas, era de se esperar o contrário, porque a normatização veio para
facilitar o entendimento. De abril de 2009 (quando o BC mudou a nomenclatura
de seu ranking de queixas) a março de 2010, houve 1.406 reclamações contra
tarifas. Nos 12 meses seguintes, foram 1.553, alta de 10%.
Em resposta ao Idec, o diretor da Federação
Brasileira de Bancos (Febraban) André Luiz Lopes dos
Santos reconhece que "pode haver um déficit de informação". "É
praticamente impossível controlar a postura de cada vendedor
(funcionário)."
Ele pondera, no entanto, que a própria Febraban tem um site (www.febraban-star.org.br)
no qual é possível comparar as tarifas entre as instituições. "Sei que,
na hora de abrir uma conta, no banco, é difícil lidar com tanta informação.
Mas uma consulta ao site deixa o cliente mais bem preparado para
decidir."
Autor(es):
Leandro Modé
O
Estado de S. Paulo - 11/05/2011