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A
passos
largos, os cartões híbridos avançam no mercado e substituem os "private label" emitidos
pelas redes de varejo. O que até pouco tempo era um tabu para essas empresas,
que temiam facilitar as compras de seus clientes em outros estabelecimentos,
virou negócio. O movimento, iniciado em 2006 pela C&A,
quando ainda tinha o Banco Ibi como braço
financeiro, agora ganha as dimensões do mercado. Os
novos cartões com bandeira têm a função "private"
quando capturados pelo lojista que os emitiu e geram receitas quando usados
na concorrência. O adicional vem na forma de comissão pelos acordos de
exclusividade com bancos ou como taxa de intercâmbio quando a varejista tem
sua própria operação financeira.
Segundo a Associação Brasileira das
Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs),
os cartões de loja somam mais de 200 milhões, em comparação aos 139 milhões
de unidades de crédito. A estimativa da entidade é de que os "private" faturem R$ 67,7 bilhões em 2010. Esse
modelo não vai desaparecer, mas a expectativa dos varejistas é de que perca
representatividade.
Os
varejistas se renderam ao assédio dos bancos e gradualmente começam a
converter suas bases de cartões próprios, os chamados "private label", para
unidades com bandeira. O que até pouco tempo atrás era um tabu para as
grandes redes, ao facilitar as compras dos próprios clientes em outros
estabelecimentos comerciais, virou oportunidade de negócio, com a criação de
um modelo híbrido. Os novos cartões embandeirados agora nascem com
característica de "private label",
quando usados no lojista que empresta seu nome ao plástico, e transformam-se
em receitas financeiras quando a compra é feita na concorrência.
O
adicional ao negócio de varejo vem na forma de comissão pelos acordos de
exclusividade com determinada instituição financeira ou como taxa de
intercâmbio quando a varejista tem um braço financeiro. Pelas estatísticas da
Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), os "private label" somam mais de 200 milhões de unidades, uma
base muito superior aos 139 milhões de cartões de crédito existentes. Em
faturamento, a estimativa da entidade é que os cartões de loja faturem R$
67,7 bilhões em 2010, enquanto os de crédito devem movimentar mais de R$ 300
bilhões. Os cartões de loja não vão desaparecer, mas a expectativa dos
varejistas é de que, gradativamente, eles percam representatividade.
Entre
as maiores bases do mercado brasileiro, Riachuelo, Lojas
Renner, Pernambucanas e Carrefour optaram por erguer operações
financeiras do zero. Outras, como Lojas Marisa, Pão
de Açúcar, Casas Bahia, Leader ou Magazine Luiza se
uniram a bancos, ou por meio de contratos comerciais, ou por estruturas
societárias. A C&A, que detém a maior
quantidade de cartões próprios, com mais de 20 milhões de unidades, tinha no Ibi o seu braço financeiro, mas acabou vendendo a
operação no ano passado para o Bradesco, em meio à deterioração na qualidade
de seus ativos, que sucedeu a crise internacional.
Independentemente
do modelo, o que se percebe é que foi por força da competição que as redes
sentaram para negociar parcerias ou partiram para o voo
solo. "Há três, quatro anos, a participação do "private
label" como meio de pagamento correspondia a
75% das vendas e essa fatia caiu a 59% em 2009", conta o diretor de
crédito e risco da Riachuelo, José Antônio Rodrigues. "A gente percebeu
que, muitas vezes, o cliente vinha com um cartão com bandeira da concorrência fazer compras na nossa loja, a oferta (de
cartões com bandeira) foi uma demanda do consumidor."
O
avanço dos bancos, principalmente os públicos, nas classes de renda menos
favorecidas da população, também começou a incomodar as grandes redes ao
chegar a um perfil sócio-econômico que antes era cativo do varejo, acrescenta
o diretor de serviços financeiros da Marisa, Arquimedes Salles. "Quando
meu cliente passa um cartão do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal , eu perco não só o financiamento daquela compra,
mas também a base de dados, as informações de comportamento, eu não sei o que
ele está fazendo."
Alguns
paradigmas do antigo "co-branded", que
fazia as vezes do cartão de loja com bandeira, foram
quebrados com o modelo híbrido. Antes, para passar esses plásticos que
traziam a marca Visa ou MasterCard
era preciso usar a rede das bandeiras e isso representava custos aos lojistas
para capturar a transação de um cliente que ele já tinha conquistado, explica
o diretor de negócios do Carrefour Soluções Financeiras, Ricardo Barreto. Essa
questão foi tecnicamente resolvida e hoje quando o consumidor faz compras no
estabelecimento que emitiu o cartão, a transação é de "private label", cumprindo
a função de alavancar vendas.
"Na
nossa loja é sempre uma transação interna, que permite oferecer condições
especiais, como o financiamento em 10 vezes sem juros na drogaria, planos de 18 a 20 vezes nos
eletroeletrônicos ou de 3 vezes na venda de combustíveis." Já há
flexibilidade também na fixação de um limite de crédito exclusivo para quando
a compra é feita no próprio Carrefour. "Hoje, a palavra mágica é
portabilidade, fazer com que o cliente tire o cartão da gaveta e coloque-o na
carteira, podendo usá-lo em qualquer lugar."
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