Quais são as melhores opções para financiar a compra de imóveis
O 'Estado'
preparou um guia com vantagens e desvantagens das diversas formas de pagamento
disponíveis
Consumidores
com mais dinheiro no bolso, aumento da oferta de imóveis e valores menores de
prestações em decorrência da ampliação do prazo nos financiamentos estão
levando o mercado de crédito imobiliário a bater recordes.
Este ano, de janeiro a setembro, o volume de financiamento concedido pelos
bancos pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) com recursos da caderneta
cresceu 81%, de R$ 6,72 bilhões para R$ 12,17 bilhões. A estimativa é alcançar
R$ 16 bilhões este ano. Medidas tomadas pelo Conselho Curador do FGTS na semana
passada - e que valerão a partir de janeiro - vão trazer mais concorrência e
estímulo a esse mercado e facilitar a obtenção de financiamento para quem tem
conta vinculada no FGTS.
Uma das medidas vai permitir que o comprador de imóvel financiado de valor até
R$ 350 mil possa pagar até 80% da prestação com o próprio saldo do FGTS,
independentemente do valor da renda. A regra atual permite abatimento de 80%
apenas para quem tem renda de até R$ 2.280. Para quem tem renda acima de R$
4.560, o abatimento máximo hoje é de 40%.
Outra mudança foi a criação de uma nova linha de
crédito com recursos do FGTS para quem tem renda superior a R$ 4,9 mil,
contemplando imóvel de valor até R$ 350 mil - hoje, a linha do FGTS só atende
quem tem renda até R$ 4,9 mil e financia imóvel de no máximo R$ 130 mil. A nova
linha vale apenas para quem é cotista há pelo menos 3
anos e tenha no mínimo 10% do valor do imóvel na conta vinculada. Nela, os
juros são de 8,66% ao ano mais TR, bem menor que os 12% mais TR no SFH.
'Com essas medidas, a tendência é a concorrência aumentar, com redução de juros
nos bancos', diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos
Executivos de Finanças (Anefac). 'Quem puder, deve
aguardar a virada do ano para contratar um financiamento imobiliário', diz.
Oliveira diz que a melhor forma de comprar imóvel é à vista, porque evita os
custos de um financiamento. 'O grande problema é que poucos são aqueles que
efetivamente têm condições financeiras para isso', diz.
É importante comparar as condições no mercado. 'Qualquer pequena redução na
taxa de juro faz enorme diferença', ele diz. 'Em financiamento de R$ 100 mil
por 30 anos, a redução de 1 ponto porcentual nos
juros, de 12% para 11%, significa economia de R$ 13.670.'
Oliveira conclui que hoje a taxa prefixada pode ser mais interessante que a
pós-fixada (corrigida pela TR). 'Isso, desde que a diferença entre a pós e a
prefixada não supere 2 pontos porcentuais', ele diz.
Orienta também que o consumidor deve evitar a amortização pela Tabela Price. 'A prestação inicial é menor que no SAC, mas no
total o comprador pagará mais.' Por fim: 'Sempre que
possível utilize seu FGTS e reservas financeiras para dar entrada e reduzir o
valor do financiamento.'
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Opções
para compra
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Vantagem
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Desvantagem
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Compra à
vista
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Sai mais
barato porque evita custos dos financiamentos
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Adia a
compra, porque é preciso tempo para forma a poupança
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Financiamento
bancário(*)
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Permite a
ocupação imediata do imóvel e adequar o valor da prestação ao bolso, optando
por prazos mais curtos ou longos
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Encarece
o custo final por causa dos juros elevados. Comprador tem que fazer a
poupança da parte não financiada. Candidato se submete à análise das
instituições financeiras
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Consórcio
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Concede
crédito que cobre o valor total do imóvel; não é preciso comprovar renda; não
há limite de comprometimento de renda com a parcela
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Não
permite habitar o imóvel imediatamente e há a possibilidade de receber o
imóvel no final dos pagamentos. Divide entre os participantes do grupo o
prejuízo dos inadimplentes
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Cooperativa
habitacional
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Permite
baratear custos, porque os próprios compradores administram o empreendimento.
Permite personalizar o imóvel
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É
trabalhoso e difícil porque requer conhecimentos de produtos, parte legal,
etc. A inadimplência de 1 ou mais cooperados pode
comprometer e atrasar a obra
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Título de
capitalização
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Custo
final pode ser menor, porque a compra é à vista, o que permite obtenção de desconto
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Adia a
compra porque a entrega do capital aplicado ocorre no final do plano ou por
sorteio; devolve apenas parte do valor pago e após a carência; não garante
que o valor acumulado será suficiente para comprar o bem.
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Direto da
construtora
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Custo
financeiro menor; critérios menos rígidos que os dos bancos; não limite
comprometimento máximo de renda para as prestações
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O prazo
de financiamento é menor que o dos bancos; em geral não é possível ocupar o
imóvel de imediato por que é preciso esperar a finalização da obra; é
necessário possuir parcela para a “entrada”; há parcelas intermediárias, além
das prestações mensais
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(*)
Alternativas de financiamento bancário
As 3 linhas de crédito
1- Recursos do FGTS: tem os menores
custos (6% a 8,16% ao ano mais TR) mas impõe renda
máxima de R$ 4.900,00 e valor máximo do imóvel
de R$ 80 mil a R$ 130 mil. A partir de janeiro/2008 o cotista do FGTS
poderá ter renda superior aos R$ 4,9 mil e financiar imóvel de até R$ 350 mil
2- Recursos da caderneta: custos
maiores (teto de 12% ao ano mais TR) que o FGTS, mas não há limite de renda e o
valor do imóvel pode chegar a R$ 350 mil
3- Recursos livres dos bancos: as taxas de juros
podem superar 12% ao ano mais TR, mas permite a compra de imóvel de valor
superior a R$ 350 mil. Comprador não pode usar o FGTS
Taxas
prefixadas ou pós
a- Taxas prefixadas são as contratadas
no financiamento e que vão vigorar em todo o contrato. O custo
do financiamento não mudaram não importa o que aconteça com a economia
b- Taxas pós-fixadas são aquelas que o
comprador conhece no momento do financiamento mas que
serão acrescidas de uma taxa variável (TR ou outro indexador) ao longo do
contrato. O custo do financiamento sobe se houver instabilidade econômica e cai
com a economia estável.
Sistemas de
amortização
SAC – sistema de amortização constante
Um dos mais utilizados pelos bancos privados: as
amortizações do saldo devedor são sempre iguais durante todo o financiamento.
As prestações são decrescentes
Sacre – sistema de amortização crescente
Um dos sistemas utilizados pela CEF. As amortizações são
crescentes, as prestações são decrescentes
Tabela Price
É o sistema utilizado em todos os tipos de financiamento: as
prestações são iguais ao longo do contrato (se os juros forem pós, há reajuste
periódico). A amortização é mais lenta.
Conclusão: sistemas que amortizam mais rapidamente o saldo
devedor reduzem a parcela de juros, assim SACRE ou SAC são mais indicados
Prazo curto
ou longo
a- Prazo curto: vantagem é que quanto
menor o prazo menor o valor dos juros pagos; a desvantagem é que quanto menor o
prazo maior o valor da prestação, o que exige renda maior
b- Prazo longo: prazo maior acarreta
valor de prestação menor, exige renda menor; a desvantagem é que se paga mais juros
Conclusão: o comprador deve fazer procurar o menor prazo
possível, levando em conta o comprometimento de sua renda e seu orçamento familiar
Rosangela Dolis
O Estado de S.Paulo – 05/11/07