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Check-up financeiro
A saúde
financeira dos médicos precisa de cuidados especiais. Esse grupo de
profissionais chama a atenção de planejadores financeiros e da própria
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), regulador do mercado de capitais,
porque são presas fáceis de ofertas mirabolantes de investimento.
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"É
uma categoria peculiar", diz uma fonte da CVM. Eles trabalham muito no
início de carreira, em vários empregos. Depois, formam uma clientela, começam
a ganhar reconhecimento e são cada vez mais procurados. "Ganham muito
dinheiro, mas não dispõem de tempo para sequer saber quanto ganham e se
tornam alvos fáceis", acrescenta.
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Por isso,
os médicos são presas de bancos, de consórcios, de
corretores de imóveis, de corretores de valores e de outros fornecedores de
produtos de investimentos menos ortodoxos, como os contratos de
avestruz, boi e tantos outros.
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Para
agravar o cenário, os médicos costumam pagar o sofá da sala de espera do
consultório com o mesmo cartão de crédito que pagam os almoços de família. Ou
seja, tiram do mesmo bolso as despesas pessoais e as do consultório, um erro
básico de gestão financeira. "O médico não tem como gastar porque não
tem tempo e acaba fazendo barbaridades", diz o médico Walter Lyrio do Valle, diretor técnico da União Nacional das
Entidades de Auto Gestão em Saúde. "A primeira providência quando ele
ganha dinheiro é comprar um BMW financiado", acrescenta.
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Médicos
têm poucos fins de semana com a família, férias ou feriados. São muitos
raros, portanto, os momentos para lazer, para consumo e menos ainda para
cuidar dos seus próprios investimentos. Assim, as decisões de consumo são
feitas sem qualquer reflexão, e não há qualquer programação de fluxo de caixa
tanto para a receita quanto para a despesa.
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A verdade
é que os médicos não aprendem a gerir seu próprio negócio. "Os médicos,
dentistas e tantos outros profissionais liberais não cursam na faculdade
nenhuma matéria de administração, mas eles são verdadeiras empresas",
diz Marco Gazel, sócio da M2 Investimentos que tem
uma carteira de clientes da área médica. "A primeira coisa que o médico
tem de entender é que ele é um homem de negócios, não basta fazer a cirurgia
bem feita, ele tem de aprender a cuidar do próprio negócio, caso contrário,
terá problemas sérios", adverte.
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Na
opinião de Gazel, este não é um problema apenas dos
médicos, mas de todo profissional liberal, que tem uma entrada de recursos
diferente da contabilizada por um assalariado. Se já é um desafio para muitas
famílias gerir o orçamento doméstico sabendo previamente quanto receberá e
com dia certo para a entrada dos recursos no caixa, imagine manter a
disciplina tendo de organizar não apenas as saídas de recursos, mas a
receita.
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Gazel conhece bem o perfil. É filho e
irmão de médicos. Sua irmã, Mariza, clínica geral,
deixa sob os cuidados do irmão a gestão dos seus investimentos. "A
maioria dos meus amigos deixa o dinheiro parado no banco", conta Mariza. "A medicina toma muito tempo da nossa
vida", diz.
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Os
médicos são o principal alvo dos gerentes que
precisam cumprir metas de vendas de planos de previdência, como PGBL e VGBL.
Como não costumam pensar na aposentadoria, os médicos são seduzidos por essas
ofertas quando elas aparecem e fazem as aplicações sem avaliar bem a relação custo/benefício. Só vão lembrar de fazer novos
aportes quando o gerente aparecer de novo com uma oferta. "Aposentadoria
é um problema sério", diz Valle, da União Nacional de Auto Gestão em
Saúde. "A grande maioria dos médicos não tem um plano de aposentadoria
que funcione."
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Para
fazer um check-up das finanças pessoais, os especialistas recomendam,
principalmente aos médicos e para os profissionais liberais em geral, saber o
quanto ele ganha por hora e se consegue separar as contas de casa das
despesas do consultório. Em seguida, é preciso responder à seguinte pergunta:
"Vale a pena investir no consultório?" Além disso, é necessário
conhecer seus sonhos de consumo e avaliar como será a aposentadoria.
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Por Mara Luquet
28/09/2007
http://www.valoronline.com.br/
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