Preocupação com o bolso invade a escola
Projetos em
tramitação na Assembleia gaúcha e no Senado propõem
inclusão da educação financeira no currículo escolar. Mas o tema já faz parte
da rotina de algumas instituições de ensino no Estado

Pode estar na sala de aula a
vacina contra o descontrole financeiro e o endividamento. Dois projetos de lei
em tramitação no parlamento gaúcho e no Senado pretendem incluir a Educação
Financeira no currículo das escolas como forma de inocular em jovens e crianças
o conhecimentos sobre como manter saudável o orçamento
pessoal e familiar.
A proposta do deputado Luis Augusto Lara (PTB), hoje na Comissão de
Constituição e Justiça da Assembléia, prevê a inserção da temática no Ensino
Médio da rede estadual. Mais antiga, a iniciativa do parlamentar Lobbe Neto (PSDB-SP), após cinco anos de discussão na
Câmara, foi enviada em setembro para análise no Senado e prevê a inclusão da
disciplina no programa da matemática da 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental e
Médio.
– Existe uma grande facilidade de tomar crédito, e muitas famílias estão
endividadas por falta de planejamento. É possível fazer a família entender essa
necessidade a partir da postura do filho – entende Lara.
O projeto prevê a inclusão da matéria de forma complementar a outras
disciplinas, sem necessariamente contar com carga horária fixa ou necessidade
de avaliação. Por ser ainda genérica, a proposta teria mellhores
chances de avançar reunindo sugestões de especialistas e órgãos do Estado
ligados à educação.
O professor de Finanças Ricardo Humberto Rocha, do Insituto
de Ensino e Pesquisa (Insper), ex-Ibmec, lembra que o
crédito farto é um dos motores da economia, mas deve ser utilizado “com
parcimônia e de forma correta”. Para ele, as iniciativas merecem apoio por
incentivarem a alfabetização financeira das futuras gerações.
– Projetos como esse fazem todo o sentido. Desde os anos 50, muitos estados
norte-americanos tornaram obrigatório o ensino de educação financeira. Então,
acho que estamos atrasados – diz Rocha.
O ideal seria casar o tema com outras disciplinas além da matemática, entende
Rocha. Como o português, por exemplo, já que a complexidade dos produtos
financeiros exige uma melhor capacidade de interpretação de texto pelo
consumidor, para evitar armadilhas e ser atropelado pela bola de neve do endividamento.
Para o coordenador da Comissão de Educação Financeira do Conselho Regional de
Economia (Corecon), Everton Lopes, a lição na sala de
aula poderia ajudar a corrigir erros básicos como o uso do cartão e crédito e
do cheque especial como se fossem parte do salário,
posturas muito comuns que considerada um passo para o descontrole nas contas
pessoais.
CAIO
CIGANA
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Nove razões para ensinar
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1 Orientar sobre o uso correto do crédito e
demais produtos financeiros para evitar o endividamento e a inadimplência
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2 Planejar o uso dos recursos financeiros
pessoais e familiares
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3 Despertar o interesse e a consciência
sobre gestão financeira em busca de um diagnóstico da situação pessoal e
familiar
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4 Entender a importância do controle do
orçamento doméstico por meio do conhecimento de conceitos como receita bruta,
receita líquida, custos e despesas
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5 Desenvolver a mentalidade e a atitude de
economizar, investir e poupar visando ao equilíbrio financeiro
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6 Evitar o desperdício e valorizar o consumo
com base em critérios racionais
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7 Dar embasamento às decisões de
investimento e financiamento
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8 Evitar que o consumidor se torne vítima de
propagandas enganosas
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9 Preparar novas gerações para o uso
inteligente e responsável do dinheiro
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Fonte:
Fonte: Projeto de Lei 206/2009
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LETÍCIA
BARBIERI | Vale do Sinos/Casa Zero Hora
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