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>> Planejamento Financeiro >> Planejamento de suas Finanças >> Ficar rico antes de ficar velho
Ficar rico antes de ficar velho

A atração que o Brasil exerce no exterior continua crescendo. Em seminário sobre a economia brasileira, na semana passada em Paris, empresários europeus rivalizaram no otimismo com os dois ministros presentes, Guido Mantega, da Fazenda, e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento.

A avaliação geral é de que as perspectivas do Brasil permanecerão boas no médio prazo. O fluxo de investimentos estrangeiros diretos continua em nível elevado, os termos de troca são recordes, com as exportações de recursos naturais, o desemprego nunca foi tão baixo, as descobertas de petróleo vão transformar o país num importante exportador de energia na próxima década, as reservas internacionais são enormes, o quadro demográfico é favorável, a classe média aumenta, o sistema financeiro é sólido e o país tem mais companhias competitivas internacionalmente.

Mas tudo é relativo. O Brasil acelerou o ritmo para alcançar países desenvolvidos ("catching up"), porém está ficando para trás na comparação com outros emergentes importantes. Markus Jaeger, analista do Deutsche Bank, mostra isso em nota que publicou recentemente. Ele calcula que a renda per capita brasileira acelerou de 1% de 1980 a 1990 para 2,4% durante 2001-2010 (foi de 3,5% desde 2004), uma melhora significativa, mas bem abaixo do desempenho de certos asiáticos. No mesmo período, a renda per capita da China e da Coreia do Sul, em relação a do Brasil, aumentou de 7% e 62% em 1980 para 60% e 270% em 2010, pela ordem.

Assim, mesmo se o crescimento econômico da China declinar da média de 10,5% dos últimos dez anos para cerca de 7% a partir de agora, como é a aposta de bom número de economistas, sua renda per capita vai superar a do Brasil por volta de 2020.

Irene Mia, diretora para América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU), chega à mesma conclusão. Ela mostra que a renda média no Brasil é equivalente hoje a apenas 23% daquela dos EUA, e está no mesmo nível de 1980. Já a renda média da China cresceu do equivalente a 4% da do americano em 1980 para 18% em 2011, devendo passar a do Brasil dentro de dez anos.

Mia aponta outro elemento do "catching up": embora 48 milhões de brasileiros, o tamanho da população da Espanha, tenham passado para a classe média desde 2003, dependendo do indicador que se use, é inegável que o Brasil continua a ser um dos países mais desiguais do planeta, com tudo que isso tem de negativo.

Em Paris, Pimentel destacou a importância do bônus demográfico, estimando que a população brasileira em idade produtiva vai saltar para cerca de 70% em 2020-30. "É um presente que os países tem uma vez só na história. Os EUA tiveram o bônus demográfico em meados do século 20. Nós temos esse bônus nos próximos 15 a 20 anos."

O bônus demográfico é o período no qual a população economicamente ativa supera largamente a de dependentes, composta por idosos e crianças. Isso proporcionaria dinamismo e crescimento econômico, se essas pessoas fossem preparadas em termos educacionais e de qualificação profissional para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

Para Fabio Barbosa, presidente do conselho de administração do Santander Brasil, o Brasil precisa aproveitar o momento e não perder a perspectiva de que algumas condições, hoje muito favoráveis, não vão persistir indefinidamente. "O Brasil precisa ficar rico antes de ficar velho", martela ele. Estudo do IBGE mostra que o bônus demográfico começa a se esgotar por volta de 2026 e a partir de 2034 o ritmo de envelhecimento da população brasileira se acelera. A questão é o nível de prioridade que o país dá para enfrentar os desafios, envolvendo educação, poupança, infraestrutura, ineficiência da burocracia, complexidade do sistema tributário, etc.

Na comparação com os asiáticos, o Brasil continua perdendo. A taxa de investimentos no Brasil é de 18,5% do PIB, comparado a 46% na China e 31,5% na Índia. Para viabilizar crescimento econômico de 4,5% a 5%, será preciso subir a taxa para 24%, conforme. "O Brasil tem hoje programas de investimentos para todos os gastos", repetiu o ministro às plateias de empresários em Londres e Paris.

Na infraestrutura, investimentos de 2% a 4% do PIB são necessários para sustentar expansão econômica de 5%. No momento, o país investe 2,5%, comparado a 10% na China e 6% na Índia. Já se tornou lugar comum a projeção de que este será o século da Ásia e que a China vai superar a economia dos EUA em futuro não muito distante. Os chineses, em todo caso, também enfrentarão cada vez mais desafios.

Estudos mostram que o resto da Ásia terá pelo menos uma década para mudar seu modelo de crescimento, hoje baseado em exportação. Mas, no caso da China, a exigência é de que movimento seja mais rápido, pelo seu tamanho e pela pressão dos parceiros diante dos desequilíbrios na economia mundial. Enquanto o Brasil acompanha o forte desempenho chinês, a China olha a subida da Índia. Analistas projetam crescimento anual de 7% em média para a China nos próximos cinco anos. Já a Índia logo poderá se expandir mais rápido que a economia chinesa

Autor(es): Assis Moreira

Valor Econômico - 11/07/2011






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