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>> Notícias >> Más escolhas, não geografia nem cultura, explicam crises
Más escolhas, não geografia nem cultura, explicam crises


Jornalista responsabiliza pessoas por cataclismos políticos e econômicos
Há um razoável consenso entre pares de que o britânico Alan Beattie, editor de comércio internacional do "Financial Times", é um dos melhores jornalistas ativos nessa área. A atenção ao seu primeiro livro, "Falsa Economia", é assim justificável.
Muito dessa reputação se deve à perspicácia de Beattie em compreender dadas situações com imediata clareza, alguma antecipação e um pragmatismo que não raro tira seu texto da manada de análises instantâneas que as crises costumam produzir.
Outro tanto se explica pela prosa clara sobre temas espinhosos e não naturalmente sexies -comércio, por exemplo-, pelo repertório amplo de história e pela farta ironia.
Tudo isso está presente neste trabalho, outra tentativa de analisar a mais recente turbulência global e dela tirar lições (o subtítulo "Uma Surpreendente História Econômica do Mundo" se mostra demasiado ambicioso).
Sua tese central é a de que todo mal (econômico) que se abate não é fatalidade nem determinismo geográfico ou culpa alheia. É o fruto direto de decisões erradas em algum momento da história.
Ainda que Beattie se deixe levar por sua propensão liberal, ele se sai bem na coleção de anedotas históricas e análises precisas que ajudam, sem jargões nem academicismos, a apoiar sua tese e explicar os buracos em que as economias têm se enfiado.
Fica devendo, porém, a tal da surpresa -ao menos aos que acompanham com mais afinco o noticiário político e econômico internacional.

A MESMA HISTÓRIA
Evocar a Argentina como exemplo de cataclismo financeiro resultante de má administração foi algo feito à exaustão nos últimos dois anos, embora com Beattie a citação ganhe o charme de uma narrativa histórica paralela entre o país vizinho e os EUA nos séculos 19 e 20.
Comparar Washington a Roma para vaticinar sombras nos EUA tampouco é novo. O historiador Niall Ferguson foi quem fez com mais estrondo, em 2007, com "Are We Rome?" (Somos Roma?).
E em nada surpreende lembrar que países islâmicos são quase sempre nações que prosperaram graças ao comércio, e que apesar da religião comum cresceram como Estados díspares (como se disparidades não houvesse entre países de raiz cristã).
É, pois, quando escreve sobre comércio que Beattie, esperadamente, consegue propor algo mais novo, lançando mão do que conhece em detalhe sobre a infraestrutura em cantos distintos do mundo (a africana, diz, pouco serve à produção de drogas) ou sobre grupos de interesses ativos (olá, lobby peruano do aspargo).
Para quem não teve paciência para acompanhar as marolinhas e ondas-monstro da última turbulência, ou não examinou seus porquês, eis uma oportunidade com o extra de um texto eficiente.

LUCIANA COELHO - DE SÃO PAULO
Folha de S. Paulo


Vá à Livraria Cultura ver o livro: FALSA ECONOMIA - Alan Beattie







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