Previdência privada exige cuidados
Se o
valor a ser investido for alto, é melhor buscar uma gestão profissional e
ficar atento ao custo da taxa de administração
O que é melhor: um plano de previdência privada aberta ou uma carteira de
investimentos? Como sempre, quando se trata de aplicações financeiras,
depende. Depende do perfil do investidor, das quantias a serem investidas, do
tempo do investimento e, acima de tudo, da paciência e dos nervos para
eventualmente aguentar emoções fortes ao longo do
percurso.
Se a soma a ser investida for muito alta, não há razão para o aplicador não
diversificar, colocando o dinheiro numa vasta gama de investimentos
diferentes para permanentemente aproveitar as vantagens imediatas e de longo
prazo de cada um deles, otimizando o resultado final com a soma dos
resultados de cada aplicação ao longo do tempo.
Ou, melhor ainda, por que não dar o dinheiro para ser investido por alguém
especializado na gestão de grandes fortunas? De grandes organizações
financeiras a gestores altamente profissionalizados, com foco em negócios
menores, há toda uma gama de opções para a gestão de ativos, que, com certeza,
conseguirão resultados mais expressivos que a imensa maioria das outras
aplicações.
Como a imensa maioria da população com capacidade para ter um plano de
previdência privada ou fazer uma cesta de aplicações não se enquadra no
desenho anterior, a pergunta inicial começa a ser respondida pela própria
dinâmica da vida. A maioria de nós não tem tempo ou acesso às informações de
mercado para fazer a gestão de nossos ativos no nível de sofisticação
indispensável para conseguir aproveitar o melhor momento de cada aplicação.
Assim, o plano de previdência privada aberta, tendo claro que estamos falando
de investimentos com maturação de dez anos, passa a ser, pelas próprias
características do produto, uma solução no mínimo inteligente, na medida em
que tem uma enorme redução da carga tributária como contrapartida para o
prazo da aplicação. O que não acontece com os outros tipos de investimento,
que carregam a mesma carga tributária por todo o tempo da aplicação.
Em nenhum país, onde aplicações de longo prazo são normais, se consegue uma
rentabilidade real acima de 6% ao ano, durante todo o período em que o
dinheiro fica investido neste tipo de produto. Pelo contrário,
invariavelmente a rentabilidade mal atinge 3% reais ao ano, tanto que algumas
nações tiveram que mudar a legislação que tratava destas aplicações para
preservar as empresas gestoras, porque, em função da oscilação dos juros ao
longo do tempo, não estavam conseguindo pagar a remuneração mínima exigida
pela lei.
Além disso, a aplicação em previdência privada aberta dá ao investidor um
corpo de gestores especializados para administrar seus recursos. Ainda que dispondo de valores bem menores do que os exigidos pelos
administradores de patrimônio, o aplicador em previdência privada aberta
passa a contar com uma equipe de profissionais preparados para tomar as
decisões na gestão de seu dinheiro.
Será que uma carteira com valores semelhantes, tocada individualmente pelo
aplicador, teria a mesma vantagem ou as decisões teriam que ser tomadas
diretamente pelo interessado, sujeitas a informações não confiáveis ou ao
desconhecimento dos detalhes de cada investimento?
O problema com os planos de previdência privada aberta é quanto é cobrado
pela operadora para administrá-los. Atualmente, este custo pode comprometer
seriamente o resultado do plano. A tendência dos juros, no longo prazo, é de
queda. Além disso, a inflação está na casa dos 4% ao ano. Assim, com base na
taxa de juros atual, a remuneração real de um investimento típico de classe
média não ultrapassa os 6% ao ano.
Se a operadora do plano de previdência privada aberta cobra os mesmos 6% ao
ano, a remuneração do plano será inteiramente dela,
em detrimento do investidor que deveria ser o beneficiário da aplicação.
Várias operadoras já estão aceitando reduzir suas taxas. Se a sua ainda não o
está fazendo, valha-se da portabilidade para mudar de plano e ganhar mais do
que sua remuneração atual.
Autor(es): Antonio Penteado Mendonça
O Estado de
S. Paulo - 23/08/2010
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