Esta crônica foi um pouco inspirada na matéria recém lida na
edição de 30 de Julho ultimo da revista “The Economist” mas também para falar da sorte que tive (terá mesmo
sido?) em ter vaticinado uma semana antes, a ocorrência do
débâcle nas bolsas e demais mercados financeiros brasileiros e internacionais.
Espero não ter provocado esta crise que ainda não acabou,
com a minha opinião! (risada)
A matéria do Economist me relembrou o
meu próprio passado de jovem idealista, imaginando viver em um mundo justo,
habitado por pessoas com princípios éticos ilibáveis e no qual jamais uns
enganassem aos outros. Infelizmente, muito cedo me convenci que estes
meus nobres pensamentos eram utopia.
Nos dias de hoje sou constantemente relembrado de que vivemos em
um mundo extremamente materialista, no qual interesses mesquinhos
predominam.
A revista The Economist acabou de
abordar um predicado que pessoalmente sempre considerei relevante, o de “ter mais fé e confiança em
nossos semelhantes”. Mas jamais cegamente!
O assunto foi pesquisado por duas cientistas da Universidade da
Califórnia, Santa Barbara.
Elas chegaram à conclusão de que realmente compensa
sermos honestos com as pessoas com as quais lidamos ou temos alguma forma
de relacionamento.
As pesquisas efetuadas por essas profissionais, sem que eu
possua qualificação suficiente para explicar os aspectos técnicos e científicos
abordados, retrocedem a centenas de anos, iniciando-se com nossos
antepassados que ainda habitavam as cavernas...
Lidando há tantos anos com a minha própria clientela de finanças
pessoais e aconselhamento, em relação a investimentos para a formação,
manutenção e crescimento patrimonial, é óbvio que
encontrei os mais variados tipos de cabeças pensantes.
Desde os primórdios da minha vida profissional eu acreditava
sinceramente e, continuo mantendo esta mesma convicção até os dias de
hoje, que ser autêntico e absolutamente honesto com todos no
trato destas questões era muito importante para mim mesmo e, é claro,
mais ainda para a pessoa que tivesse que confiar em meus conselhos.
Eu simplesmente não conseguia oferecer produtos ou serviços nos
quais não acreditava e isso me causou alguns problemas e também dramas de consciencia enquanto ainda era funcionário de
instituições financeiras.
Talvez tenha sido essa a razão para um belo dia, quando já me
sentia capacitado a seguir carreira solo
e, ardentemente desejar ser independente para sempre e poder dizer
livremente o que pensava a respeito de qualquer empresa, serviço ou produto.
Mas enquanto ainda era colunista da revista Exame e Meu
Dinheiro da Editora Abril durante 6 anos, tinha
que frear meus ímpetos de soltar a minha própria opinião livremente, mas
presentemente produzo o meu próprio blog e me expresso como
quero! Um “viva” à livre expressão da palavra em
nosso país!
Ainda na Faculdade, enquanto me auto sustentava, durante o dia
eu trabalhava como corretor de imóveis, mas
já então estava convencido de que não desejava morrer sendo corretor de
imóveis, apesar de ter ganho um bom dinheiro naquela função e ter aprendido as
primeiras lições de relacionamento humano.
Após passar por várias etapas intermediárias, passei a vender
fundos de investimento e, lembro muito bem que muitos dos meus colegas de
empresa naquele tempo, somente estavam interessados no valor da comissão que
iriam obter, não se importando com a qualidade do produto que ofereciam
e tantos outros fatores essenciais, que pessoalmente eu
considerava importantes.
Eu lia muito e meu incipiente inglês me auxiliava
bastante, pois assinava na época a revista
“Time” que me nutria de cultura geral e financeira, quando ainda havia
pouca informação sobre finanças em geral e pessoal em nosso próprio
país.
Voltando à matéria publicada pelo The Economist,
no qual o editor e as pesquisadoras penetram profundamente na mente
humana, vejo confirmado quão importante foi meu primitivo instinto
de dar muito valor ao que as pessoas pensavam e diziam, apesar de naquela época
não ter qualquer conhecimento de psicologia ou da enorme complexidade
da mente humana.
Meu primeiro mentor, um norte americano bastante culto, havia me
ensinado que sempre deveria primeiramente estabelecer contato pessoal com
o cliente em potencial e jamais tentar empurrar um produto ou
serviço que desse apenas vantagens
para mim.
Internet ou e-mail é claro que não existiam, mas ele já me
advertia que telefone era o maior assassino de negócios em potencial. Eu
sempre deveria tentar marcar uma 1ª reunião com cliente em potencial, em
local sossegado, onde não fosse interrompido por telefonemas ou
secretárias entrando e saindo.
Até hoje sigo este aconselhamento, pois acredito que o
contato pessoal, visual, intelectual e profissional,
traz frutos altamente positivos para mim e o cliente. Você
passa a conhecer muito bem o cliente e ele a você. Ampliei a minha técnica da
obtenção de conhecimento profundo do cliente ao passar a convidar o casal,
quando era o caso, para a primeira e mais importante entrevista a
respeito de entender melhor quais eram as metas financeiras dos mesmos e
em que consistiam.
Meu instinto igualmente aconselhava que
a conquista de um cliente deveria ter como objetivo manter relações com o mesmo
por toda vida e não apenas para um único
negócio.
Novamente o estudo recém publicado no
The Economist reconfirma o acerto daquela
minha primeira visão de como dois seres humanos podem interagir e
obter inúmeros benefícios um do outro.
Portanto uma importante lição a ser apreendida deve ser a de que
sempre deve existir absoluta confiança entre ambos.
Os muitos anos passados para mim provaram que profissionalismo,
ética e honestidade de propósitos foram amplamente
compensados, pois como mero iniciante
e posteriormente como gerente geral de grandes instituições financeiras,
verifiquei como outros profissionais que não compartilhavam daquela
minha filosofia iam ficando pelo caminho.
Eles nunca conseguiram entender que a maioria dos clientes tem
uma espécie de sexto sentido e percebem a diferença existente quando
estão sendo conduzidos para adquirir determinado produto ou raciocínio ou
quando, honestamente o interlocutor faz questão de querer entender o que eles
mesmos desejam alcançar em suas vidas.
A conquista da confiança e fidelização para mim sempre
significaram desejar o melhor para o cliente, mesmo a custo de não lhe
vender nada e, eventualmente, mandá-lo para o concorrente.
Tenho muito orgulho em poder afirmar que inúmeros clientes ainda
de dezenas de anos atrás, acabaram por se tornarem meus
melhores amigos até os dias de hoje.
Por mais que eu entendo algumas das razões dos
banqueiros de hoje que não desejam que haja vínculos mais fortes entre seus
gerentes de relacionamento com a clientela (e conseqüentemente
os transferem seguidamente de um lugar para outro), ainda acredito que
somente contatos pessoais honestos e desinteressados
trazem consigo vínculos importantes que fazem toda a
diferença.
Nestes anos todos, constatei que o cliente mais abre seu coração
e igualmente sua mente em relação as suas ansiedades e objetivos, quando
sente que o planejador financeiro (ou gerente de relacionamento) com o qual
troca idéias e/ou possui
traços de personalidade coincidentes, é autenticamente
desinteressado.
Hoje em dia, através das múltiplas formas pelas quais é possível
obter informações a respeito de aplicações e investimentos, muitas vezes o
fator decisório deixa de ser racional e lógica, pois o cliente toma
sua própria decisão através da leitura de algum jornal, de um noticiário
na TV ou mesmo quando escuta no clube os argumentos de um seu amigo.
Sinto muita pena daqueles profissionais financeiros que,
premidos pelas contingências dos altos custos envolvidos nas operações das
entidades financeiras nos quais trabalham e outros fatores, devem cumprir
metas de produção e sofrem por essa mesma razão enorme pressão, forçando conseqüentemente clientes a adquirir produtos ou serviços
às vezes inadequados.
Penso que a melhor maneira de tratar um cliente por parte de um
intermediário financeiro ainda é de pensar nele (e em sua família), como
se ainda haveria contato daqui a 30 anos, quando ambos,
eventualmente, estivessem aposentados e pudessem se encontrar
e falar tranquilamente do passado com nostalgia, alegria, e sem
sentimentos negativos.
Abraço e me desculpem pelo teor auto
biográfico desta crônica! Eu precisava externar isso.
Louis
Louis Frankenberg,CFP® 12-08-2011
Blog; www.seufuturofinanceiro.blogspot.com
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