TIRE SEU DIPLOMA PELA INTERNET
Um em cada sete novos alunos de graduação no país faz seu curso à distância.
Eles são mais baratos, e o MEC está aumentando a cobrança de qualidade. Nas
próximas páginas, um guia para você estudar em casa
Antonio Edijalma Rocha Jr., de 41 anos, é a cara do
novo ensino à distância brasileiro. Ele voltou para a sala de aula 18 anos
depois de ter se formado em um curso técnico. As tarefas de gerente de
planejamento ele trabalhava em uma fábrica de calçados em Jaú, no interior de
São Paulo e de pai o impediam de realizar a vontade antiga ter uma graduação.
O tempo foi passando e perdi o pique de estudar. Mas sempre quis fazer
faculdade, diz. Encontrou a oportunidade de estudar de novo no ensino à
distância. O curso de gestão de produção industrial, oferecido por uma
universidade no Paraná, durou dois anos e meio, de janeiro de 2006 a julho de 2008.
Comparando o ensino à distância com o curso técnico presencial, que fez há
quase 20 anos, Rocha aponta uma grande diferença. No primeiro, a preocupação
era com o diploma. No segundo, com a concorrência. Isso fez com que eu me
esforçasse para aprender mais. Em 2008, após se formar, Rocha foi convocado
para fazer o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade),
aplicado a quase 2 mil alunos de ensino superior tanto à distância quanto
presencial. Ficou em primeiro lugar, com nota 80,3 (a média foi de 45, em 100
pontos possíveis).
O resultado garantiu a Rocha uma bolsa de estudos para fazer pós-graduação à
distância em engenharia de produção, no valor de R$ 3 mil. Ele começou em março. Hoje,
Rocha dá consultoria para empresas e é professor técnico no Serviço Nacional
de Aprendizagem Industrial (Senai).
Melhorar de vida, como Rocha, é o objetivo do mais de meio milhão de
estudantes brasileiros matriculados em cursos pela internet. Eles assistiram a
aulas por TV via satélite ou pela internet, fizeram trabalhos em grupo,
valendo nota, em salas de bate-papo on-line, acessaram livros em bibliotecas
virtuais para estudar para a prova e tiraram dúvidas sobre o que iria ser
cobrado no teste por e-mail. No ano passado, 302 mil pessoas se matricularam
em cursos on-line (cerca de um sétimo do total de matrículas do país).
Os adeptos do ensino à distância formam uma multidão que cresceu mais de 600%
entre 2005 e 2008. A
febre começou com cursos técnicos e de especialização. Trata-se de um
fenômeno mundial, turbinado pela valorização do ensino. Muita gente está em
busca de conhecimento, porque sentiu que ele garante mais oportunidades.
O fenômeno brasileiro vem sendo puxado pela oferta de diplomas de graduação.
Segundo o censo da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), obtido com antecedência por ÉPOCA, havia 649.854
pessoas fazendo cursos de ensino superior on-line em 2009 mais de 80% delas em graduação.
Escolas tradicionais, como a Universidade de São Paulo
(USP) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), passaram a oferecer cursos (confira um mapa
com algumas das melhores instituições on-line).
Trata-se de uma revolução nesse tipo de ensino. A educação à distância existe
no Brasil desde a década de 30. Foi inaugurada com um curso de técnico de
rádio por correspondência. Sua inspiração veio da Europa. A Universidade de
Londres, uma das mais tradicionais do mundo, oferece esse tipo de curso há
mais de um século. Na Espanha, a Universidade Nacional de Educação a
Distância foi fundada há 35 anos (e hoje tem 180 mil alunos). Nos Estados
Unidos, os cursos on-line são o ramo da educação que mais cresce. Algumas
universidades de elite, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), Berkeley e Yale, compartilham
gratuitamente versões digitais dos materiais de seus cursos. Mas não dão
diploma.
No Brasil, não só o Ministério da Educação (MEC) está regularizando vários
cursos, como proíbe as universidades de dar aos alunos remotos um diploma
diferente do curso presencial. Consultamos várias empresas para checar se
contratavam gente formada à distância. Todas disseram que nem têm como saber
o tipo de curso que seus funcionários fizeram.
O ensino à distância começou a mudar com a popularização da internet e da
banda larga e com a oferta de cursos, além dos técnicos. Na graduação, os
mais procurados estão nas áreas de administração, pedagogia e tecnologia. Mas
é possível cursar ciências biológicas e enfermagem remotamente, tanto em
instituições públicas quanto privadas (45% das escolas à distância
reconhecidas pelo Ministério da Educação são gratuitas). O Brasil começa a
descobrir que educação à distância é a melhor alternativa para quem não teve
acesso às universidades, diz Frederic Litto, presidente da Abed.
A principal diferença de estudar pela internet é o
esforço exigido do aluno. Ele tem de ser mais ativo
Ela é especialmente útil para quem trabalha e não tem tempo de cumprir a
rotina diária da faculdade. De acordo com o censo da Abed,
57% dos alunos de cursos remotos têm mais de 30 anos e buscam novas
oportunidades. Quase a metade (47%) ganha entre um e cinco salários mínimos.
Além da flexibilidade de horário, também pesam as mensalidades, em média a
metade do preço. A faculdade à distância é bem democrática. Você faz seu
horário e alcança o nível de conhecimento que quiser. Depende de seu esforço,
diz Rocha.
Camila Guimarães. Com Daniella Cornachione
e Marcela Buscato Filipe Redondo
Época - 30/08/2010
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