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Mercado cria índices para medir preços


Em menos de duas semanas, o setor imobiliário - que por anos foi carente de qualquer tipo de informação - acordou com dois novos índices de preço de imóveis e há, pelo menos, mais três em estudo. Essa proliferação repentina mostra uma preocupação latente de governo, investidores, bancos e fundos de pensão em quantificar a evolução dos preços dos imóveis e se existe ou não a temida bolha imobiliária. A sensação é de uma alta importante dos preços, mas quanto, de fato, subiu? E onde estão as maiores altas?

Ainda não há resposta para perguntas aparentemente simples, mas os primeiros índices de preços apresentados ao mercado já são considerados um avanço importante. Para uma fonte do setor imobiliário, a criação de um índice no Brasil está atrasada em cerca de 20 anos. A Fundação Getúlio Vargas e a BM&FBovespa lançaram um índice de valorização de imóveis comerciais. A Fipe, em parceria com o portal Zap, acompanha o preço do metro quadrado de imóveis residenciais em seis estados brasileiros e Distrito Federal - com base nos preços anunciados.

"Trata-se de uma ferramenta importante de decisão, tanto para o comprador, quanto para o investidor", afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi, Sindicato da Habitação de São Paulo. "Somos a favor da maior transparência possível, desde que haja metodologia científica."

O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, estuda fazer também um índice residencial e um outro grupo da Fipe estaria estudando uma metodologia diversa, com base em outras informações, para um índice residencial.

E, há também, a criação de um indicador de preços oficial do governo, que está sendo elaborado de forma conjunta entre Ministério da Fazenda, Banco Central, CEF e IBGE, segundo informações da assessoria de imprensa da Caixa. A presidente Dilma Rousseff deve assinar um decreto criando uma parceria entre o IBGE e a CEF para elaborar o índice. A ideia é acompanhar o preço de casas e apartamentos em todas das as capitais.

Na opinião de Walter Cardoso, presidente da consultoria Richard Ellis, um dos patrocinadores da índice da FGV, acredita que levantar massa de amostragem seja a grande dificuldade e o principal desafio desse tipo de índice. Cardoso também defende que é impossível fazer um índice geral, porque o mercado imobiliário é extremamente pulverizado e há diferenças enormes de preços. "Falar de valorização imobiliária é a coisa mais difícil do mundo", afirma. "Há lugares em São Paulo, como o Morumbi, onde os preços estão em queda, embora haja uma valorização geral no país", ressalta.

O Índice Geral do Mercado Imobiliário Comercial da FGV, que será trimestral, usou como base a carteira de imóveis dos fundos de pensão. A amostra conta com 190 imóveis, 50% escritórios comerciais e 25% shopping centers com presença maior em São Paulo e Rio, mas também Minas, Brasília e Bahia. "Vamos apresentar o índice ao Brasil inteiro, nossa principal meta é atrair doadores de informações", diz Emilio Otranto Neto, diretor da BM&FBovespa. O índice foi lançado com uma base histórica iniciada em 2000 e, nos últimos dez anos, o retorno dos empreendimentos comerciais brasileiros acumula alta de 637%. Segundo Otranto, o objetivo da BM&FBovespa é tornar o mercado imobiliário mais transparente e, num segundo momento, criar produtos com base no índice, como derivativos".

 

Autor(es): Daniela D"Ambrosio | De São Paulo

Valor Econômico - 23/02/2011






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