Empréstimo é conta prioritária da baixa renda
O
aumento do grau de endividamento do consumidor da baixa renda, no último ano,
fica claro na prioridade que ele dá ao pagamento de empréstimos em
financeiras. Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Fractal revela que o
pagamento da parcela do CDC obtido de financeira é a terceira principal
despesa mensal a ser paga para o consumidor com renda individual mensal de
até R$ 800.
Na lista
das despesas mensais dessa faixa de renda, o primeiro débito a ser acertado é
a conta de luz, com 100% das respostas. Em seguida
vem o pagamento de água, para 89,3% dos entrevistados, e depois o pagamento
da parcela do CDC, para 85,2%. O gasto do aluguel da residência só aparece em
11º lugar nas despesas obrigatórias. Gastos com a conta de telefone
fixo, com o crédito para celular, com a fatura do cartão de crédito e com o
pagamento mensal do empréstimo bancário ganham do aluguel entre as
prioridades da baixa renda.
Na mesma
pesquisa feita em 2004, o pagamento do CDC também estava em terceiro lugar na
lista de pagamentos, mas para 50,6% dos entrevistados. Em 2007 já era
prioridade para 85,2%. A parcela mensal do empréstimo bancário, que era a
oitava despesa a ser paga para 16,7% dos entrevistados em 2004, no ano
passado era a sétima prioridade para 31,1% dos que responderam à pesquisa.
“O
consumidor de baixa renda tem valorizado muito o crédito e, claro, está mais
endividado”, diz o diretor-presidente do Instituto Fractal e professor da
Faculdade de Economia e Administração da USP, Celso Grisi.
O levantamento foi feito durante o ano de 2007 com 3.264 consumidores, com
renda média mensal de R$ 507,89, nas cidades de São
Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Salvador , Curitiba, Campinas e
Ribeirão Preto.
De
acordo com Grisi, veículos, eletrodomésticos,
material de construção, vestuário e alimentos são os itens que compõem o
grande consumo de crédito na classe C. “Os mais pobres têm aumentado seu
patrimônio, graças ao crédito.”
A
pesquisa revela também que 81,7% dos entrevistados desconhecem o juro pago
nas operações de financiamento. Em 2006, o porcentual era de 74,5%. O
crescimento é explicado pela entrada de novos consumidores no mercado de
crédito. “A maioria está mais interessada em saber se a prestação cabe no bolso.O juro perde em importância.”
Vera
Dantas
O Estado de S. Paulo
http://clipping.planejamento.gov.br/