CEO por temporada: será esta a nova tendência nas empresas?
A demissão de CEOs nas 2,5 mil maiores empresas de capital aberto no mundo já
não está mais tão associada aos maus resultados obtidos no curto prazo. Foi o
que constatou recente pesquisa realizada pela Booz
& Company. Apenas 17,6% dos presidentes na Europa
tiveram que deixar seus cargos por ter um desempenho insatisfatório, enquanto
nos Estados Unidos este número não ultrapassou a casa dos 15% em 2007. Apesar
da boa notícia, o tempo de permanência dos CEOs em seus cargos continua caindo.
Ainda tenho visto uma alta rotatividade no alto escalão.
Os dados do estudo retratam um fenômeno que todas as organizações vêm
enfrentando ultimamente: a falta de talentos. Sem dúvida, as companhias sentem
uma enorme dificuldade em achar substitutos preparados para assumir o posto de
número um. No entanto, não podemos fechar os olhos para uma realidade que bate
à porta dos CEOs, em que se observa uma mudança radical de paradigmas. Arrisco
até afirmar que os presidentes hoje passaram a ser contratados apenas para uma
temporada. Eles chegam, executam o que o acionista deseja, ganham muito
dinheiro rapidamente e depois partem para novos desafios. Realidade dura de
digerir? Reconheço que sim, mas por trás do fenômeno da rotatividade, enxergo
uma necessidade das companhias em ter líderes com perfis distintos para cada um
de seus momentos. Se a empresa está crescendo e planeja um IPO (na sigla em
inglês para oferta pública inicial), ela vai atrás de um presidente firme,
arrojado, agressivo, um verdadeiro trator, capaz de promover mudanças – nem que
para isso seja preciso cortar parte de seu quadro de funcionários. Passada essa
fase, quando a empresa busca manter sua estratégia, troca imediatamente o
comando por um líder mais equilibrado, ponderado, com um estilo apropriado para
a maré de ondas calmas. Entre tantos exemplos, o mais recente cito o do
ex-presidente da Medial Saúde, Luiz Kauffmann.
Contratado em 2006 para arrumar a casa e deixá-la pronta frente aos planos de
abertura de capital da operadora de planos de saúde, deixou seu posto há poucos
dias. Todos nós, que somos ou fomos presidentes de empresas, concordamos que
não é fácil sobreviver a essas transformações vividas nas últimas três décadas.
Herdamos de nossos pais o exemplo de crescer, trabalhar e se aposentar na mesma
companhia. Quem de nós nunca ouviu a famosa frase “vestir a camisa da empresa”?
Assim era a geração dos anos 70 que passou a sentir o gosto amargo da demissão
como um fato mais comum e corriqueiro do que se imaginava.
Muitos começaram a perder seus empregos uma, duas, três vezes. A fidelidade e a
estabilidade foram substituídas pela gestão da própria carreira. Um grande
avanço se olharmos sob outra ótica. Você não está mais nas mãos da empresa. Se
conseguir, ao longo do tempo, direcionar suas ações para aquilo que deseja,
independente de onde você esteja, certamente não
ficará sem chão quando for demitido. Além disso, se você pensa que ao ser
dispensado tinha como única razão o fato de que já não vinha dando o resultado
esperado, teve um mau desempenho, pode estar enganado. Seu modelo de liderança
é que não serve mais para a estratégia da companhia dali para frente.
Ou seja, há espaço para todos. Acabou aquela idéia de que para chegar ao topo
era preciso ter uma determinada característica e pronto. Prova disso é que se
fala tanto dos vários tipos de líder: o carismático, o pragmático, o arrojado,
o ponderado.
Devemos ficar alertas sim para essa nova era. As formas de administrar mudaram,
as empresas mudaram, as pessoas mudaram. E acima de qualquer coisa, precisamos
acordar para esse momento em que somos donos da nossa própria carreira. Onde
quer que estejamos ou quanto tempo ficaremos naquele lugar, é importante
perceber que somos nós quem definiremos os passos
seguintes. O presente e futuro estarão cada vez mais em nossas mãos. E
construí-los depende apenas de nós mesmos. Vamos começar?
Post
publicado no blog da HSM – www.hsm.com.br/blog -
29/07/2008
Julio Cesar
Cardozo – Consultoria Julio Cesar Cardozo & Associados.
http://clipping.planejamento.gov.br/
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