O controle do crédito em 2010
O diretor
do Banco Central (BC) Mario Mesquita reconheceu que o risco, em 2010, é de
uma forte aceleração da economia - preocupação que não apareceu na última Ata
da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que geralmente se
antecipa aos rumos da conjuntura, mas mostrou que não se justificam medidas
monetárias de contenção.
A impressão é de que, num ano eleitoral, o Copom, por razões políticas,
procurará não elevar a taxa Selic - instrumento
corriqueiro -, recorrendo, para conter a demanda, a um instrumento que não
provoca protestos, mas reduz a liquidez das instituições financeiras.
Em nossa edição de sábado vimos que os países do Primeiro Mundo se empenham
em tomar medidas para afastar qualquer risco de recaída na crise financeira
que explodiu em 2008. Por seu lado, o BIS, banco central dos bancos centrais,
estuda recomendar novas normas sobre o capital dos bancos, que inibam
impulsos inovadores como os que deram origem à crise dos derivativos.
Nosso Banco Central, que antes da crise já impusera, no Brasil, normas até
mais rigorosas que as do BIS, seguramente fará o mesmo diante das novas
exigências do banco de Basileia.
Um primeiro indício está na decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de
que, a partir de 1º de abril de 2010, fica revogada a Resolução 3.674, de
setembro de 2008, que permitiu aos bancos aumentarem as provisões contra a
inadimplência sem reduzir o patrimônio de referência e, assim, eles
mantiveram intacta sua capacidade de fazer novos empréstimos. Em abril do
próximo ano, os bancos que aumentaram consideravelmente suas provisões terão
de reduzir suas operações ativas.
O Banco Central terá outros meios para reduzir o crédito: poderá exigir uma
recomposição do recolhimento sobre depósitos, que foi diminuído no início da
crise para que os bancos pudessem aumentar seus empréstimos. Não se pode
afastar também um aumento dos depósitos compulsórios, decisão que teria
efeito sobre o custo do dinheiro, pois a reação dos bancos seria elevar os
juros.
É importante ter presente que o BC, que sem dúvida sofre pressões, não
renunciará à sua política de austeridade pelo menos enquanto os membros do
Copom forem os mesmos. Isso explica a pressão que seu presidente fez sobre os
membros do Copom ao mesmo tempo que parece ter o
compromisso de continuar até o fim do mandato de Lula.
O Estado de S. Paulo - 22/12/2009
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