A regulamentação vigente obriga que os
prospectos de produtos financeiros mostrem, além de sua rentabilidade, a
seguinte frase: "Rentabilidade Passada Não é Garantia de Rentabilidade
Futura"
A cada fechamento de mês, trimestre, semestre ou ano, as
associações e instituições que trabalham essencialmente com investimento
disponibilizam o ranking das melhores aplicações financeiras do período em
questão.
No bloco da renda fixa, formado pela caderneta de poupança,
pelos diversos títulos do tesouro, fundos DI, CDB's etc, há pouca ou quase nenhuma novidade. Salvo mudanças muito
significativas nas variáveis macroeconômicas, incluo aqui a legislação em
vigor, os vagões são dispostos em certa ordem no trilho econômico, que deverá
permanecer o mesmo de 01 de janeiro a 31 de dezembro. Note que no bloco da
renda fixa, sistematicamente são esquecidas as debêntures. Afinal, sabem o que
é uma debênture e têm acesso a elas aqueles que já possuem um
certo conhecimento de investimento e também já têm o hábito de investir.
Já no bloco da renda variável, mais sujeito a emoções diárias
determinadas pelos humores de investidores e mercados internacionais, vemos que
em um período a bolsa é melhor, em outro pior. Em outra fase, o ouro ganha e o
dólar perde. Ou então, a forte valorização dos imóveis se sobrepõe a outros
investimentos em determinada época. E como em um campeonato, o líder do ranking
é muito bajulado e assediado por inúmeros fãs de ocasião.
A regulamentação vigente obriga que os prospectos de produtos
financeiros mostrem, além de sua rentabilidade, a seguinte frase:
"Rentabilidade Passada Não é Garantia de Rentabilidade Futura". Isto
serve para proteger, ou melhor, alertar o consumidor daquele produto financeiro
sobre seu primeiro grande erro na percepção de qualidade do que está
adquirindo.
A percepção de qualidade do consumidor financeiro se refere
somente, e repito o somente, à rentabilidade passada. Tal percepção foi forjada
por anos de altas taxas de inflação, quando se faziam aplicações financeiras
escolhendo a melhor rentabilidade diária. Lembro que as alternativas de produto
eram poucas àquela época, quando comparamos com os dias atuais. Para corrigir o
problema, deve o poupador desenvolver uma perspectiva de rentabilidade futura,
ainda que mais qualitativa que quantitativa, ou mesmo a instituição financeira
oferecer seus panoramas de curto, médio e longo prazo, para que a tomada de
decisão final tenha olhos no futuro e não no passado.
Também não faz parte da percepção de qualidade outros dois
importantes ingredientes de uma aplicação financeira: a liquidez e a segurança.
Muitos investem em caderneta de poupança e aumentam seus investimentos nela
quando ela passa a liderar o ranking de rentabilidade, mas desconhecem os
riscos que correm. Muitos se dizem investidores de longo prazo, mas salientam
ao gerente do banco que querem poder retirar seu dinheiro a qualquer momento
que precisarem.
Rentabilidade que muda muito e
liquidez e segurança que oscilam, em conjunto, pouco ou nada devem ajudar a
formar a decisão final de investimento. Desta forma, os investimentos passam a
ser mais consistentes e a produzirem melhores resultados a despeito das
oscilações, rumores e humores.
Mauro Calil é palestrante, educador financeiro e autor do livro
"A Receita do Bolo" – www.calilecalil.com.br
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