Crédito não tradicional abre espaço
Cooperativas
e fundos de apoio têm recursos
Fora dos bancos comerciais, não faltam canais para emprestar dinheiro a micro e
pequenos empresários com juros até um terço menores do
que os de mercado e em condições facilitadas.
Trata-se de políticas de fomento econômico voltadas aos pequenos
empreendedores, de ações de combate à crise criadas no ano passado e de
cooperativas de crédito.
Um exemplo é a Caixa RS, que emprestou R$ 12 bilhões de um total de R$ 35
bilhões. Em São Paulo,
a Nossa Caixa Desenvolvimento conta com R$ 1 bilhão -do
qual somente 10% foram distribuídos após um ano de operação.
"A economia melhorou, e muitos empreendedores entraram no mercado de
comércio e serviços. Isso reflete no desembolso maior para esse público",
afirma Rodrigo Bacellar, superintendente interino do
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Custo menor e apoio são vantagens de
agências
Instituições
de fomento apostam em consultorias e acesso fácil ao crédito
As empresas
de pequeno porte enfrentam dificuldades maiores em conseguir crédito por não
ter como apresentar garantias de que irão pagar a dívida. Já as médias precisam
de mais orientação para aplicar os recursos, explica o presidente da Nossa
Caixa Desenvolvimento, Milton Luiz de Melo Soares.
Conhecendo esse cenário e por não terem o intuito de apresentar rentabilidade
de banco, mas sim de financiar pequenas e médias empresas para que se tornem
competitivas, as agências de fomento muniram-se de capital para financiar a
condições facilitadas e oferecer consultoria.
Tais instituições não atendem diretamente às solicitações dos empreendedores.
Quem faz esse trabalho são as associações de classe, que atuam como
intermediárias entre o empreendedor e quem oferece o crédito.
Isso é um dos motivos que tornam os custos das operações mais competitivos. A
outra razão, acrescenta Soares, é que o recurso tem
origem nos cofres públicos e é ofertado para dinamizar a economia do país.
Contratar técnicos para irem até os empresários oferecer serviços de
consultoria e negociar as linhas de financiamento é outra forma de tentar
atrair esse público.
"Quanto melhor a estrutura operacional, melhores serão os serviços, e isso
fará com que consigamos emprestar mais", formula o diretor operacional da
Caixa RS, Rogério Augusto de Wallau.
O executivo destaca que o segundo semestre é o período em que a maior parte dos
créditos são liberados. "A meta deste ano é injetar R$ 500 milhões nas
empresas."
MENOS BUROCRACIA
O bom atendimento e a simplicidade na hora de ter o crédito aprovado fizeram o
paulista Gilson Salatino Feix,
61, planejar novos investimentos em sua empresa de telemarketing após o
primeiro aporte bem-sucedido que recompôs seu capital de giro.
"Achei que fossem mentira as condições de crédito", conta, ao se
lembrar de quando seu sindicato patronal ofereceu o financiamento.
Ainda que considere as condições "uma barganha", Feix
mantém cautela: "Só pego a quantidade de dinheiro de que preciso, mesmo
que me liberem um valor maior".
PAULA NUNES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE S.PAULO