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>> Dicas >> Carreira >> SALÁRIOS ATRAEM EXECUTIVOS DE VOLTA AO MERCADO
SALÁRIOS ATRAEM EXECUTIVOS DE VOLTA AO MERCADO


A briga por talentos no mercado financeiro brasileiro está tão acirrada que os bancos de investimentos oferecem pacotes de remuneração capazes até mesmo de tirar executivos de suas próprias empresas. É uma das alternativas encontradas pelas instituições para escapar dos poucos e caros nomes tarimbados já empregados na concorrência
O conhecido analista sênior Alexandre Gartner, que nos últimos anos vinha trabalhando em sua própria empresa de consultoria Voga, acaba de ser contratado para chefiar a área de análise de ações do ABN Amro. Ele é uma das muitas contratações que o banco está fazendo para atuar no mercado de renda variável. Aos 24 anos, o engenheiro Gartner ingressou em um programa de trainees do Bozano, que depois foi comprado pelo Santander. Cinco anos mais tarde, já era um dos importantes executivos da instituição financeira, na área de análise e na corretora. 

Quando saiu do Santander, o experiente Gartner prestou assessoria a diversas empresas, como a Net Serviços de Comunicações, e montou a sua empresa de consultoria, a Voga. Agora, foi fisgado pelo ABN. 

O crescimento rápido das operações com ações, derivativos, câmbio, juros e fusões e aquisições no Brasil provoca uma forte ampliação da atividade de todos os bancos de investimentos, escassez de profissionais especializados e inflação de salários, que chegam a um máximo de US$ 10 milhões por ano para o altíssimo escalão. Um dos principais destaques tem sido o mercado acionário, com o Brasil liderando a onda de abertura de capital na América Latina. "Nos últimos anos, não formamos gente suficiente para atender à nova demanda", disse Fernando Carneiro, presidente da SpencerStuart no Brasil, uma das principais empresas de recrutamento de executivos no mundo. 

"Estamos disputando os mesmos recursos", diz Fátima Zorzato, presidente da Russell Reynolds no Brasil, outra empresa líder mundial da área de recrutamento no alto escalão. "A briga pelos melhores é tão grande que existem soluções alternativas como buscar gente que estava atuando em suas próprias boutiques", conta. O mercado de investimentos, segundo ela, foi reduzido por um tempo e muita gente jovem está querendo voltar à ativa. "São os que têm aquele brilho nos olhos", diz. 

O Bradesco Banco de Investimentos (BBI), que teve de montar toda a sua equipe com o mercado já inflacionado, usou essa alternativa. O próprio diretor-gerente do BBI, Bernardo Parnes, ex-presidente da Merrill Lynch, contratado em meados do ano passado, havia acabado de sair da administradora dos recursos de José Safra (famiy office) quando encontrou José Luiz Acar Pedro, vice-presidente responsável pelo BBI. Parnes foi o primeiro executivo do Bradesco que não veio dos quadros internos do banco ou de uma instituição adquirida. 

Para montar o BBI, Parnes tinha como tarefa achar 50 pessoas. Focou sua atenção em executivos seniores que estavam fora do circuito dos grandes bancos, mas que, no passado, já atuaram nas maiores instituições financeiras. "O mercado está aquecido e não há oferta de profissionais tão elástica", diz Parnes. "Estamos em uma guerra de talentos, mas nós não fomos atrás dos mais caros, mas sim de pessoas com respeito total à cultura da casa", diz. Parnes afirma que, no entanto, os salários pagos pelo Bradesco não deixam de ser competitivos. 

Auro Rozenbaum foi um dos talentos seduzidos pelo BBI. Para assumir o novo posto, deixou a própria empresa Prometheus Capital, da área de financiamentos para empresas de médio e grandes portes. O executivo tem larga experiência em vários setores da indústria financeira, incluindo finanças corporativas, private equity, análise de ações e asset management. É egresso da Eccelera (braço de private equity do Grupo Cisneros). Antes, foi vice-presidente responsável pela cobertura de empresas do setor latino-americano de telecomunicações do Deutsche Bank, em Nova York. Já foi reconhecido como um dos melhores analistas do setor por investidores institucionais americanos. 

Outro executivo laçado pelo BBI foi Luiz Galvão. Ele também deixou sua empresa Rio Verde Investimentos, da área de gestão de recursos, para ser o responsável pela corretora internacional e área de análise de ações do banco. A Rio Verde atua no mercado de ações e faz a gestão de mais de R$ 65 milhões. O que convenceu Galvão a embarcar no novo trabalho e deixar o que criou para trás, segundo ele, foi a chance única de participar da construção de um banco de investimentos de uma instituição de grande porte. "A plataforma do Bradesco impressiona", diz. 

A Goldman Sachs, que também está montando seu banco múltiplo agora, com o mercado já inflacionado, driblou a falta de talentos buscando em Nova York três executivos seniores para atuar no seu banco no Brasil. O americano Valentino D. Carlotti, 41, sócio e diretor-gerente, virá ao país para presidir o banco múltiplo da Goldman. Eduardo Centola, presidente do banco de investimentos do Goldman no Brasil e co-presidente para América Latina, também está de malas prontas para mudar para o Brasil. Outra que está à caminho é a brasileira Ana Cabral Gardner, que foi tirada do Credit Suisse em Nova York para dirigir a área de mercado de capitais de renda variável. Segundo Centola, os salários pagos em Nova York serão mantidos no Brasil. 

Executivo de instituição financeira que preferiu não se identificar afirmou que, em alguns casos, os salários no Brasil chegam a ser maiores. "Os pacotes estão compatíveis com os pagos em Nova York e Londres. Mas isso só acontece para os mais bem preparados", diz o headhunter Carneiro. Felipe Rebelli, consultor da área de remuneração da Towers Perrin, concorda que existem profissionais ganhando bônus superiores a US$ 1 milhão. "Mas só recebe quem traz resultados. O setor financeiro é mais severo e eficiente em avaliar e reconhecer os bons e os fracos desempenhos", enfatiza. 

Centola não confirma os rumores de que a Goldman teria US$ 50 milhões para pagar em salários, bônus e luvas a profissionais que estão sendo contratados neste momento. Também nega que importantes executivos cheguem a ganhar US$ 7 milhões em salários, bônus e luvas em três anos. "Esses valores são muito altos e não correspondem à verdade", diz. Para ele, voltar ao Brasil significará menos horas no avião entre São Paulo e Nova York. "Já passo 70% do meu tempo no país", afirma. Além disso, segundo Centola, a decisão de trazer Ana Cabral Gardner de volta ao país também se deve à importância do Brasil no mercado acionário da América Latina. Cerca de 90% de toda a atividade de emissão inicial de ações da região está concentrada no Brasil, estimam bancos. 

Carneiro conta que antes levava um mês para identificar um executivo para a área de análise. "Hoje essa busca leva apenas uma semana", diz. "E já teve gente que desistiu do processo depois de assinar o contrato porque recebeu uma contraproposta, o que é imperdoável", relembra. 

Mesmo os analistas de nível intermediário estão recebendo salários polpudos. Segundo Marcelo de Lucca, consultor da área financeira da Michael Page, que recruta no nível gerencial, os profissionais com quatro a cinco anos de experiência, que trabalharam ou estudaram fora do país, com idades entre 28 e 30 anos, estão recebendo de R$ 250 mil ao ano a R$ 400 mil, além da parte variável. 

Na corrida pelos melhores candidatos, uma marca de peso por trás do convite de emprego faz diferença. Se isso importa para os experientes, entre os mais jovens é questão decisiva. Edson Rigonatti, sócio do Cicerone Capital, que tem dez pessoas no país, está com duas vagas em aberto para analistas juniores há quatro meses. "Existe uma grande inflação nos salários e uma grande disputa de marcas para atrair gente boa", diz. "Não queremos trainees ou estagiários". Para ele, competir com bancos como Bradesco, Goldman Sachs, Rothchild, Morgan Stanley e Merril Lynch está muito difícil. 

"A procura está grande tanto na área de gestão como no backoffice (área de suporte), controladoria e CFOs", explica Renata Fabrini, sócia da Fesa Global Recruiters. Ela diz que o movimento é geral. "Tem gente saindo de assets para ir para os bancos de investimentos e gente saindo de banco para montar um fundo de private equity", diz. 

Com toda essa atividade, no entanto, um número crescente de gente nova vem sendo treinada para atuar no mercado financeiro. "Em três anos teremos disponíveis uma nova geração de profissionais de qualidade que está se formando hoje", acredita Carneiro. 

 
Stela Campos e Cristiane Perini Lucchesi
Valor Econômico
http://clipping.planejamento.gov.br/

 

 





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