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Depois
de muita discussão e resistência, principalmente por parte dos profissionais
de mercado mais céticos, já se aceitava que a decisão de investimento não é
só racional, e passa por muitos fatores comportamentais. Agora, a questão já
vai além. Estudos recentes mostram que a carga genética define o perfil de
risco do investidor.
Segundo
o estrategista de investimentos pessoais do Santander Asset
Management, Aquiles Mosca, um estudo feito por pesquisadores da Universidade
Hebraica de Jerusalém revela que as pessoas mais dispostas a correr riscos
são aquelas que apresentam uma peculiaridade genética.
A
pesquisa, segundo Mosca, conclui que essas pessoas possuem alguma deficiência
num determinado gene chamado DRD4, que é o responsável pela produção de
dopamina - substância que causa a sensação de prazer.
Característica
genética explica apetite por risco
Essas
pessoas correm mais riscos para suprir o problema e assim ter o prazer que
seria provocado de forma natural por tal gene. O investidor corre risco e,
quando ganha, seu organismo libera dopamina, causando a sensação de prazer
que, em pessoas sem essa deficiência, é produzida por esse gene DRD4, explica
o executivo.
Como
diz o famoso ditado, "viver perigosamente". Vale lembrar que correr
riscos vai desde investir mesmo com possibilidade de grandes perdas até
saltar de asa delta ou pular de bungee jump de um precipício, por exemplo.
"A
mensagem que o mercado financeiro pode tirar desse estudo é
que a decisão de investimento, que já se sabia que não era racional, não
depende apenas do comportamento e sim de fatores químicos que formam o
corpo humano", diz Mosca.
Ele
acredita que o próximo passo para entender a motivação dos investidores será
estudar a fundo o cérebro humano. Na visão dele, isso deve trazer respostas a
muitas dúvidas sobre a forma que as pessoas lidam com o dinheiro.
Entender
o funcionamento do mercado financeiro pelo lado das finanças comportamentais
é uma tendência relativamente nova, mas que ganha adeptos a cada dia. E o
executivo da Santander Asset é um deles. Para
Mosca, o principal objetivo dessa nova vertente é conscientizar o investidor
de que as suas atitudes são suscetíveis a muitos fatores que vão além do
crescimento econômico e do lucro das companhias.
Mosca
lembra também que outro recente estudo revela que a tomada de decisão dentro
do cérebro ocorre no Sistema Límbico, responsável pelo comportamento de curto
prazo do ser humano. "Isso também explica por que os investidores agem
sempre pensando no curto prazo e não olhando lá na frente", completa.
Daniele
Camba é repórter de Investimentos
Valor
Econômico - 10/01/2011
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