Mulheres detêm 44% dos planos de previdência
Como toda mulher,
eu adoro consumir e, para controlar os gastos e conseguir poupar, decidi
fazer um plano de previdência que debita um valor mensal automaticamente da
minha conta". A solução é da pedagoga Ellen Bernardo, de 35 anos, que
adquiriu um plano de previdência privada há dois anos.
Mãe de dois filhos, Vítor, de seis anos, e Luís Felipe, de três, Ellen conta
que decidiu aderir ao plano de poupar quando seu marido pediu o divórcio.
"Vi que eu precisava pensar no meu futuro e não só no do meu casamento e
de meus filhos", diz.
Números da Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) comprovam que, assim como ocorreu com Ellen, o
interesse feminino em planejar o futuro cresce a cada ano. Hoje, 44% dos 13
milhões de planos de previdência privada ativos no País são de mulheres. Em
2000, dos cerca de 5 milhões de planos, 35% eram do público feminino.
"A tendência é ter cada vez mais mulheres na
previdência, sobretudo se levarmos em conta que hoje, segundo o IBGE, 35% dos
lares brasileiros são sustentados pelas senhoras", prevê Renato Russo,
vice-presidente da Fenaprevi.
A consolidação econômica feminina também é apontada por outros especialistas
como o fator que tende a impulsionar a participação delas no mercado de
previdência complementar. "Cada vez mais as mulheres têm a sua própria
renda. Isso, somado ao fato de elas serem organizadas e comprometidas,
naturalmente aumentará o interesse em poupar", acredita Dora Ramos,
diretora da assessoria contábil Fharos.
A expectativa de o público feminino atuar cada vez mais na administração
financeira fez o Santander criar o Projeto Mulher. "Entre os produtos
voltados ao público feminino, temos a Previ Mulher, que é o
carro-chefe", conta Sinara Figueiredo,
superintende de investimentos do banco.
Entre os bancos de varejo (como Itaú Unibanco, Bradesco, HSBC, Banco do
Brasil), o Santander é o único que tem planos de previdência direcionados
exclusivamente às mulheres.
As aplicações mensais, que terão condições especiais em março (mês do dia da
mulher) na Previ Mulher, são de no mínimo R$ 100, com taxa de carregamento de
2% e de administração também de 2% sobre o valor investido.
Na Brasilprev, uma das maiores companhias de
previdência privada e que trabalha sob a bandeira do Banco do Brasil, dos 1,19 milhão de clientes da empresa, 43% são do sexo
feminino. Outros números da empresa indicam que o público feminino adquire
planos de previdência complementar mais cedo do que os homens.
"Das nossas clientes mulheres, 44% têm até 30
anos. Da clientela masculina, esse porcentual cai para 37%", conta José
Eduardo Vaz Guimarães, diretor de operações e produtos da Brasilprev.
Para o executivo, essa diferença revela a maior consciência delas sobre a
necessidade do planejamento financeiro de longo prazo.
Vaz Guimarães ressalta, porém, que o valor mensal de recursos apostados pela
mulher é de R$ 190. Por outro lado, os homens aportam, em média, R$ 236.
Russo, da Fenaprevi, esclarece que o perfil das
mulheres investidoras ainda é, em sua maioria, conservador. "Isso
explica o investimento menor ao mês."
PERFIL CONSERVADOR
Hoje, 43% dos investimentos de risco no mercado nacional são feitos por
mulheres, segundo números da Fenaprevi. Em 2005, esse porcentual era de apenas 17%.
"A mulher está aprendendo a investir e deve se tornar cada vez mais
arrojada nas finanças", diz Dora. Ela afirma que ainda há uma certa timidez entre as mulheres para iniciar
aplicações mais agressivas. "Este ainda é um mercado masculino, por
isso, muitas vezes as mulheres ficam constrangidas em iniciar aplicações e
tirar dúvidas."
Carolina de Mola, diretora das áreas de Vida e Previdência da SulAmérica, destaca que a mulher é responsável em
"prover a segurança familiar", fato que também pesa na hora de
escolher o tipo de investimento que ela fará. "Portanto, longo prazo e
conservadorismo ainda são características fortes no tipo de aporte feminino."
QUANTO INVESTIR?
Para decidir quanto investir por mês em um planejamento de longo prazo,
especialistas em finanças pessoais indicam que, em primeiro lugar, seja
elaborado um plano de negócios. "Deve-se somar todos os gastos pessoais,
como prestações, contas, cartões de crédito, gasolina, lazer e, assim, se
planejar com o salário que receberá no mês", explica Dora Ramos.
Carolina salienta que é preciso pôr no papel todos os gastos diários.
"Nada pode escapar, nem o cafezinho", frisa a diretora da Sul
América.
Após a soma dos gastos, é preciso fazer a subtração com o valor total líquido
da renda mensal. Depois disso, pode-se definir quanto será aplicado.
Russo, da Fenaprevi, sugere ainda que o plano de
previdência seja colocado no débito automático para que não haja chance de a
mulher esquecer de efetuar o pagamento ou gastar o
dinheiro que deve ser aplicado. Dora concorda. "É como se você estivesse
pagando uma dívida com a sua felicidade no futuro", ilustra a
especialista em finanças.
Autor(es): Roberta Scrivano
O Estado de
S. Paulo - 08/03/2010
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