O tripé dos investimentos: segurança, liquidez e rentabilidade
QUANDO
PROCURAMOS a melhor alternativa para investir nosso dinheiro, estamos em busca
de basicamente três atributos: segurança, liquidez e rentabilidade. Não é
provável encontrarmos todos em um mesmo produto de investimento. É antiga a
tradição do investimento em imóveis por causa da forte sensação de segurança
que transmite ao investidor.
Entretanto, a rentabilidade não está entre as mais competitivas, e liquidez é
um atributo que definitivamente essa alternativa não oferece. Pode levar meses
ou anos para vender um imóvel.
O investimento em ações é famoso e cobiçado pela alta rentabilidade potencial
que oferece. Liquidez é uma vantagem indiscutível, pois é possível comprar e
vender ações no mesmo dia.
Entretanto, o atributo segurança passa longe do investimento em ações. Quem
entrar nesse mercado deve estar disposto a correr risco para tentar abocanhar a
tão cobiçada rentabilidade.
NEM TÃO SEGUROS
Os conhecidos investimentos em "renda fixa" nem sempre são tão
seguros quanto o nome sugere.
Comprar um título de renda fixa significa que o investidor está emprestando
dinheiro para alguém. E receberá uma taxa de juros para remunerar esse
empréstimo.
Quando aplica em títulos públicos, o investidor se torna credor do governo;
quando investe em títulos privados (CDB, por exemplo), se torna credor do
banco.
Corre, portanto, o risco de o devedor não resgatar o capital acrescido dos
juros que foram combinados.
Quando opta por uma operação de taxa prefixada, então, o
investidor pensa que está tudo perfeito. Sabe quando e quanto vai
ganhar!
Mas e se ele precisar de liquidez no meio do caminho? E se a taxa de juros do
mercado subir? O investidor terá de se submeter a uma taxa de desconto maior do
que a contratada, receber menos do que imaginava e, numa situação muito
desfavorável, menos do que aplicou.
Já deu para perceber que não há mundo perfeito, não é mesmo? O investidor
precisa conhecer todas as alternativas para investir, entender como funciona
cada uma delas, analisar os riscos e escolher o melhor investimento.
Talvez seja por isso que um grande número de brasileiros acaba optando pelo
depósito em
poupança. Vamos examinar os atributos e ver se a escolha faz
sentido.
Segurança: como se trata de um depósito feito em uma instituição financeira, o
investidor está exposto ao risco de crédito.
Entretanto, conta com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos, que garante
até R$ 60 mil por pessoa. Para o pequeno e o médio investidor que pode
diversificar em dois ou três bancos e não exceder esse valor, nota dez.
Liquidez: o investidor pode sacar seu dinheiro quando quiser sem ter de
negociar com o banco e sem alterar sua rentabilidade.
Só precisa tomar cuidado e não sacar fora da data de aniversário da conta. Olho no calendário e a liquidez com rendimento está
garantida.
Rentabilidade: à primeira vista, a rentabilidade da poupança não chama a
atenção e muitos acham que é tão pequena que nem vale a
pena investir. Mas, se lembrarmos que a rentabilidade é líquida do IR para
investidor pessoa física, essa percepção muda. Considerando a alíquota de 20%
que incide sobre os rendimentos das operações entre 181 e 360 dias, vamos
comparar a rentabilidade da poupança com a de outros investimentos.
Observe o quadro e veja como é competitiva a rentabilidade da poupança quando
comparada com a rentabilidade líquida de 100% da taxa DI e com a de um CDB
cotado a 90% da taxa DI.
Se juntarmos aos três atributos a simplicidade operacional de um depósito em
poupança, fica fácil entender por que ela é preferida por milhares e milhares
de pequenos e médios investidores que, intuitivamente, acertam em cheio na
escolha.
DICAS QUE VALEM DINHEIRO
1 Não existe investimento sem risco. Todos têm certo
risco a ele associado. Identifique qual é o risco e se combina com você.
2 Não tire dinheiro da poupança antes da data de
aniversário da conta, pois, nesse caso, não receberá a rentabilidade entre a
data do último aniversário e a data do saque. Se sacar antes, o banco agradece!
3 Não tome sua decisão com base na rentabilidade
passada. Quem disse que ela irá acontecer novamente? E lembre-se de que ela é
bruta, o Imposto de Renda ainda não foi pago (a exceção é a poupança, que é
isenta).
4 Desconfie de propostas fantásticas. Por trás de uma
grande rentabilidade existe, necessariamente, um grande risco.
5 Invista sempre, todo mês, com disciplina. Você vai
se surpreender com os benefícios que esse hábito proporciona.
MARCIA DESSEN, Certified Financial Planner, é sócia e diretora-executiva do Brazilian Management Institute,
professora convidada da Fundação Dom Cabral e cofundadora
do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me2806201014.htm
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