Os
preços dos imóveis vão continuar subindo de maneira consistente no Brasil.
Entenda por quê
O
edifício Marquise Ibirapuera, localizado perto do parque mais conhecido da
capital paulista, oferece apartamentos de luxo. A unidade padrão, com 407
metros quadrados de área útil, custa cerca de R$ 5 milhões, mais de R$ 12 mil
o metro quadrado. Essa cifra não é excepcional. O preço dos apartamentos de
luxo, tanto novos quanto usados, tem superado os R$ 14 mil em São Paulo. No
Rio de Janeiro, o candidato a morar em bairros como o Leblon tem de
desembolsar até o dobro disso.
Essa
trajetória se espraia por todas as faixas de preço. Nessas horas, o comprador
em potencial suspira e pensa: “Quando os preços dos imóveis vão parar de
subir?” A questão para os investidores é se vivemos ou não uma bolha
imobiliária que poderia estourar a qualquer momento. Os especialistas ouvidos
pela DINHEIRO afirmam que não, e preveem novas altas
de preços. Segundo Renato Teixeira, presidente da rede de franquias
imobiliárias RE/MAX, ainda há muito espaço para subir.
“O
déficit habitacional brasileiro vai sustentar a alta por muito tempo”, diz.
Já Luiz Paulo Pompeia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio
(Embraesp), acredita que o mercado atinja um ponto
de equilíbrio em 2011. Isso não significa números estáveis – ao contrário, os
valores devem acompanhar a inflação. Um dos alicerces dessa alta é econômico.
O aumento da renda, aliado à maior oferta de crédito, permite que mais
famílias possam adquirir imóveis.
O
aquecimento na base da pirâmide afeta todo o setor. Outro alicerce é
geográfico. Itens como terrenos fazem os preços disparar muito antes de o
primeiro tijolo ser assentado, algo que só tende a piorar devido à crescente
escassez de áreas para construir. “Na ilha de Manhattan é raro ver um posto
de gasolina e na Europa não há hipermercados em regiões centrais das
cidades”, diz Eduardo Zylberstajn, coordenador de
um índice de preços de imóveis lançado pela Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo.
“Nas
maiores capitais brasileiras, porém, há muitos espaços que não são dedicados
à moradia.” Além do terreno, outros insumos também aumentam o valor dos
prédios novos. Em maio, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M),
calculado pela Fundação Getulio Vargas, subiu
2,03%. A alta, desde o início do ano, é de 4,04%, ao passo que a inflação
média, medida pelo IGP-M, é de 3,3%.
Não
por acaso, o índice imobiliário da Fipe mostra que
os preços observados em nível nacional subiram 2,7% em abril, a maior alta
mensal desde o início da série histórica. Nas principais cidades a alta é
ainda mais expressiva, fenômeno que se repete ao redor do mundo (veja quadro
à direita). Entre janeiro de 2008 e abril de 2011, os preços dos apartamentos
de 1 e 2 dormitórios mais que dobraram em São Paulo.
As
unidades com três dormitórios ficaram 85% mais caras e os preços dos maiores
subiram 62%. No Rio de Janeiro, com o apelo da proximidade da praia, a
valorização oscila entre 91% para unidades com quatro dormitórios e 126% para
apartamentos de um dormitório. No caso de o País continuar a crescer 5% ao
ano em média, como prevêem os bancos, esse
movimento pode se mante por mais tempo.“A
tendência ainda é de alta nos preços”, diz Zylberstajn.
“Só é possível esperar uma desaceleração se houver a convergência de diversos
fatores, como retração do crédito e baixa nos custos da mão de obra.”
A
alta dos imóveis novos acaba puxando o valor dos usados. Na hora de vender,
os proprietários calibram o preço pelo momento de mercado. O investidor que
estiver convencido da solidez dos alicerces da alta e quiser seguir o ditado
que diz que “quem compra terra, nunca erra” deve tomar alguns cuidados.
Negociar
imóveis é trabalhoso, burocrático e caro devido à necessidade de obter
certidões e pagar as inevitáveis comissões dos corretores. Outro risco é a
falta de liquidez. Mesmo com o mercado aquecido, talvez seja preciso esperar
alguns meses para que se consiga vender uma propriedade por um bom preço – e
evitar ver suas finanças desabarem.
Autor(es): Por Lilian
Sobral
Isto é Dinheiro - 06/06/2011