A troca na direção da Petrobrás está sendo vendida
ao distinto público como manobra do atual presidente, José Sérgio Gabrielli, de modo a melhor se posicionar para concorrer
ao posto de governador do Estado da Bahia. Para isso, ele assumirá, avisam, importante secretaria do governo baiano, conduzido
hoje por Jaques Wagner.
Se fosse
para atender aos objetivos políticos de Gabrielli,
seria uma substituição prematura e equivocada. As eleições dos governadores
só acontecerão em outubro de 2014 e, se sua saída da Petrobrás fosse para
cacifar essa candidatura, Gabrielli perderia
notoriedade - o que é essencial para um futuro candidato
a cargo de governador. Teria mais exposição pública enquanto presidente da
Petrobrás do que à frente de qualquer secretaria do governo da Bahia.
A
substituição de Gabrielli pela atual diretora de
Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Silva Foster, é decisão da
presidente Dilma Rousseff. O que ainda não está claro é o plano inteiro do
qual essa mudança faz parte.
Aparentemente,
a presidente Dilma não está satisfeita nem com as escolhas da atual
administração da Petrobrás nem com seus resultados. Em maio, seu governo
rejeitara duas vezes o Plano de Negócios 2011-2015 da Petrobrás, alegadamente
porque suas metas "não eram realistas".
Os
projetos de investimento da Petrobrás estão atrasados e são raros os
cronogramas que vêm sendo cumpridos. Em parte, isso está acontecendo porque a
empresa não consegue coordenar eficientemente sua cada vez maior rede de fornecedores,
hoje defendidos pelas exigências de conteúdo local - cláusula que eleva
custos e prejudica o andamento dos investimentos.
Está cada
vez mais difícil separar o que é tarefa grande demais - até mesmo para uma
empresa do tamanho da Petrobrás - e o que pura e simplesmente resulta da
baixa eficiência de uma pesada administração estatal, loteada entre próceres
da base política do governo Dilma.
As
decisões do novo marco regulatório do petróleo exigem que a Petrobrás integre
os consórcios de todas as novas licitações do pré-sal
com participação mínima de 30% e que ela seja a empresa operadora em todas
elas. Isso significa que todo o programa de licitações tem de esperar até que
a Petrobrás esteja em condições de assumir novos contratos de exploração.
Além
disso, desde a administração Lula, o governo federal tem exigido que a
Petrobrás participe intensamente do setor de geração
de energia elétrica; que lidere o segmento produtor de etanol; que execute
políticas de boa vizinhança de alto custo com Bolívia, Argentina e Venezuela;
e que concorra com seu caixa para a política anti-inflacionária interna, não
importando o impacto de todo esse jogo no seu faturamento e na sua capacidade
de investir. Enfim, é areia demais para o caminhãozinho da Petrobrás.
Mas não
está claro o que a presidente Dilma Rousseff quer mudar em toda essa carga e
que poderes terá a nova presidente da Petrobrás, Maria das Graças, para
formatá-la a esses planos.
Celso Ming
O Estado de S. Paulo - 24/01/2012