Estudo indica que a opinião de amigos,
familiares e parceiros pode afetar a confiança
São Paulo –
“Diga-me com quem andas que te direi quem és”. Apesar de o ditado popular não
ser necessariamente verdadeiro, os associados ou até mesmo familiares de alguém
podem ajudá-lo a criar ou destruir a confiança depositada nele pelos outros. É
isso que aponta uma pesquisa da Northwestern University, nos Estados Unidos, publicada recentemente pelo
Organizational Behavior and Human Decision
Processes e pelo site da consultoria Booz & Company.
Ao contrário
da ideia de que a confiança se estabelece depois do contato pessoal e de
processos de avaliação e julgamento cautelosos, essa pesquisa revela que o
inconsciente é muito mais relevante na hora de formar as primeiras impressões
de alguém. Segundo os estudiosos, não é necessário sequer conhecer o sujeito
pessoalmente ou saber sua reputação para confiar e até mesmo investir nele.
Para chegar
a essa conclusão, os pesquisadores fizeram três experiências com mais de 250
estudantes, que participaram de uma situação parecida com a de um investimento.
Em primeiro lugar, os indivíduos tiveram que listar os nomes das pessoas nas
quais confiavam e não confiavam, junto com as explicações para essa crença.
Depois, os estudiosos mostraram rapidamente os nomes dos participantes tidos
como confiáveis e não confiáveis.
Em seguida,
os indivíduos receberam cinco dólares para poderem investir o quanto quisessem
e no estranho que bem entendessem. Eles sabiam que quem recebesse o dinheiro
iria ganhar o triplo da quantia e seria o responsável por decidir quanto
devolveria de lucro ao primeiro. Ao medir a quantia investida em cada um, os
pesquisadores perceberam que os participantes tendiam a dar mais dinheiro sob influência dos nomes de pessoas em quem confiavam.
Os estudiosos
usam o exemplo do caso de Bernard Madoff para
ilustrar como a confiança surge de forma inconsciente e com base nas
referências alheias, sem a exigência de uma avaliação minuciosa sobre o
indivíduo. Em 2008, o ex-presidente da Nasdaq deu prejuízo de 50 bilhões de
dólares a investidores de 40 países, que caíram no
golpe conhecido como “pirâmide de Ponzi”, com a
promessa de lucro garantido em qualquer época, independentemente da situação
econômica mundial. A confiança em Madoff, segundo os
pesquisadores, foi embasada pelos nomes dos investidores que mostraram
acreditar nele, levando ainda mais gente para o buraco.
Além de
alertar os executivos e empresas sobre os riscos de confiar em quem os outros
confiam, os estudiosos aconselham o uso de recursos visuais, como fotos ou
vídeos dos projetos e trabalhos, para indicar que possui um passado positivo e
confiável, já que na era digital a confiança é criada – e destruída – mais
rapidamente. Outra dica é recorrer a empresas que reúnem potenciais parceiros
em um único lugar, pois elas possuem grande potencial de criar bases para o
reconhecimento e a confiança futura das outras empresas no negócio.
Luciana de Carvalho
Portal Exame: http://exame.abril.com.br/negocios/gestao/noticias/confianca-se-baseia-em-fatores-inconscientes-diz-pesquisa