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Levantamento da Febraban
mostra que os prejuízos causados por crimes cometidos pela internet contra
correntistas de bancos caíram à metade no primeiro semestre deste ano em
relação a igual período de 2009.
O controle a crimes cometidos na internet aumentou
no Brasil, apesar da falta de uma legislação específica para o seu combate.
Um levantamento realizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) revelou que as fraudes
na web causaram prejuízo de R$ 900 milhões às instituições financeiras em
2009. No primeiro semestre deste ano, o volume de perdas ficou entre R$ 440
milhões e R$ 450 milhões. De acordo com o coordenador da subcomissão de
combate a fraudes eletrônicas da Febraban,
César Faustino, nos últimos dois anos, a perda estabilizou-se em R$ 900
milhões ao ano, o que representa 0,011% do total transacionado nos serviços
bancários via internet.
"É um resultado positivo, se for considerado o
aumento no número de usuários de internet banking", afirmou Faustino.
Segundo a Febraban, o
número de usuários desse serviço passou de 32 milhões para 35 milhões em 2009
e neste ano cresce em torno de 18%. Por ano, os bancos gastam em torno de R$
2 bilhões em segurança.
Levantamento recente do Centro de Estudos, Resposta
e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) também indica melhoria nas notificações de incidentes
de segurança na web. Apenas no segundo trimestre, houve 32 mil notificações,
59% menos que o observado no mesmo período de 2009. Dados da ONG Safernet, que centraliza o recebimento de reclamações
sobre crimes na web brasileira, indicam queda de 27,9% no número de denúncias
por crimes contra a honra (como xenofobia, pedofilia, racismo).
Para o delegado da unidade de repressão a crimes
cibernéticos da Polícia Federal, Carlos Eduardo Sobral, esses relatórios não
são motivo para júbilo. Os crimes na internet (incluindo tentativas de
invasão) crescem em torno de 35% ao ano, acompanhando o aumento no número de
internautas. "Essa conta não é perfeita porque muitos desses crimes não
são enquadrados como crimes de internet", afirmou. Hoje, disse, os casos mais comuns são de fraudes bancárias e
pornografia infantil. As detenções nos últimos cinco anos somaram 1.044
prisões por fraude e 60 na área de pornografia no Brasil.
Um levantamento do escritório Ópice
Blum Advogados Associados mostra que houve no país
30 mil decisões judiciais ligadas a crimes eletrônicos desde 1995.
"Hoje, quem legisla sobre esses casos é a Justiça", ressalva Renato
Ópice Blum, sócio do
escritório. Ele lembra que 5% dos crimes cometidos na internet não podem ser
enquadrados na legislação vigente.
"Há expectativa de que com a atualização do
Código Penal esses crimes sejam tipificados", disse Patrícia Pek, sócia da Patrícia Pek
Pinheiro Advogados. A Câmara dos Deputados revisa o projeto de lei
PL-84/1999, que regula os crimes na internet. Entre os que não podem ser
enquadrados na legislação vigente estão destruição de arquivos, envio de
mensagens falsas ou de arquivos maliciosos. Os advogados querem que a nova
lei obrigue os provedores a guardar os registros de conexão dos usuários para
facilitar as investigações.
Autor(es): Cibelle
Bouças, de São Paulo
Valor Econômico - 01/09/2010
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