Brasileiro já pode refinanciar a casa
A estabilidade da
economia brasileira está impulsionando o crescimento de modalidades
alternativas às linhas de crédito tradicionais. É nessa onda que aparece o
refinanciamento imobiliário, que, na avaliação de especialistas, tende a
abocanhar a cada ano um pedaço maior do mercado.
Hoje, dos grandes bancos de varejo, apenas o HSBC e o Santander
? não por coincidência, duas instituições
estrangeiras ? oferecem o refinanciamento
imobiliário. Além deles, duas financeiras independentes, a Brazillian Mortgages (BM) e a
Pinhal Jardim, trabalham com o produto.
Para analistas, as baixas taxas de inadimplência (já que o imóvel quitado é
dado como garantia) é um dos motivos que devem atrair a atenção de outros
grandes bancos para a modalidade. O refinanciamento, muito utilizado nos
Estados Unidos e em países da Europa, é um espécie
de hipoteca.
Mas, diferentemente do que é feito por americanos e europeus, no Brasil, os
refinanciamentos não superam 50% do valor total do imóvel.
"Refinanciamos 50%, ou até R$ 500 mil, de imóveis já quitados com prazo
de 30 anos para pagamento e o dinheiro não é carimbado, ou seja, pode ser
usado pelo cliente para qualquer fim", explica Vitor Bidetti,
diretor da BM Sua Casa, uma das empresas do grupo BM.
Refinanciar o imóvel é uma maneira de se capitalizar para, por exemplo, organizar
o orçamento doméstico, quitar dívidas em modalidades em que os juros são
extorsivos, como cartão de crédito, cheque especial. "Pode também ser
uma maneira de comprar um segundo imóvel de valor mais baixo do que o
primeiro", sugere o consultor especializado em finanças pessoais Marcos Crivelaro.
No entanto, Antonio Barbosa, diretor de crédito imobiliário do HSBC, não
recomenda a utilização do refinanciamento do banco para a compra do segundo
imóvel. "As taxas do nosso crédito imobiliário são mais vantajosas que
as do refinanciamento", observa.
O tradicional crédito tem taxas de 10,5% ao ano, enquanto o refinanciamento
tem as taxas anuais na casa dos 18%. "Recomendo a adesão a esse produto
para quem precisa fazer uma readequação financeira", diz. O HSBC
refinancia até 50% do imóvel, ou até R$ 200 mil, e o prazo para pagamento é
de no máximo oito anos.
VELOCIDADE
Outro benefício apontado pelos especialistas no refinanciamento é a
velocidade em que o dinheiro é liberado. Na BM Sua Casa, por exemplo, a verba
demora, em média, 15 dias para sair. Enquanto isso, em um crédito imobiliário
tradicional, o prazo dado pelos bancos de varejo para a liberação do dinheiro
é de cerca de dois meses.
Fábio Ferraro, diretor comercial da construtora Obracil, salienta que essa agilidade é "extremamente
benéfica ao mercado imobiliário e ao cliente". "A demora na
liberação do financiamento exige um trabalho próximo da construtora com o
cliente, para que não ocorra desistência na compra", conta Ferraro.
O uso excessivo de uma modalidade de crédito semelhante a essa nos EUA foi o
estopim da crise financeira global que explodiu em setembro de 2008. Milhões
de americanos refinanciaram suas casas (hipoteca) para gastar dinheiro com
consumo. O alto endividamento, somado à elevação dos juros no país, acarretou
em calotes frequentes. Depois disso, os imóveis
foram devolvidos, mas o valor de mercado das propriedade
já era inferior ao das hipotecas, causando enormes rombos nas instituições
financeiras.
Como no Brasil a modalidade de refinanciamento é mais conservadora, os
especialistas consultados para esta reportagem não consideram a possibilidade
de o País sofrer situação semelhante.
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