Em busca do bom pagador
O
consumidor pode ganhar um importante aliado na redução dos juros: o cadastro
positivo de crédito
Se
você é um bom pagador, prepare-se: os juros vão ficar mais atrativos quando
for pedir empréstimos financeiros. Esta é a expectativa que envolve a
aprovação do cadastro positivo de crédito, um banco de dados que vai conter
um grande leque de informações sobre o comportamento de adimplência e inadimplência
do consumidor. O projeto de lei está desde 2003 sendo analisado pelas
comissões da Câmara dos Deputados e do Senado. Recebeu algumas modificações
no texto original, mas espera-se que seja sancionado ainda neste ano. Fique
alerta. Após o sinal verde, você terá de autorizar a inclusão do seu nome e
histórico de crédito no birô positivo. Atualmente,
somente as informações restritivas – o livro negro do consumidor – são
disponibilizadas por empresas como a Serasa e a Equifax e entidades como a Associação Comercial de São
Paulo (ACSP) aos comerciantes e instituições financeiras.
Desde
já, essas companhias estão aguardando o momento de entrar em combate contra
os juros altos. Um estudo da Tendências Consultoria
mostra que a inserção do cadastro positivo no mercado brasileiro pode
contribuir com um aumento de 40% no volume de crédito para as pessoas
físicas. Isso injetaria algo como R$ 373 bilhões na economia, tomando-se como
base os R$ 932,3 bilhões de empréstimos do sistema financeiro. Além disso, a
inadimplência poderia cair em até quatro pontos percentuais nos empréstimos
ao consumidor. Por enquanto, o calote está sob controle (veja gráfico). “O
cadastro positivo joga a favor do consumidor”, diz Elcio Anibal
de Lucca, presidente da Serasa
e de assuntos corporativos da Experian.
"O
cadastro positivo joga a favor do consumidor"
ELCIO DE LUCCA, DA SERASA
A
chegada do cadastro positivo não é novidade nos corredores da Serasa, que em 2007 teve o controle vendido para a
americana Experian, por R$ 2,3 bilhões. Durante
cinco anos, a Serasa testou o seu sistema de dados
positivos e negativos sobre o consumidor. O início foi em 1997, quando ainda
não existia a proibição dessa troca de informações. Os dados eram atualizados
pelas instituições parceiras e a Serasa conseguiu
desenvolver uma inteligência própria. “Estamos prontos para voltar a
alimentar nosso banco de dados assim que ocorrer a aprovação da lei”, afirma Lucca.
Da mesma
maneira, a ACSP está incrementando o seu Serviço Central de Proteção ao
Crédito para receber o acréscimo de informações de bom pagamento. Uma
parceria com a empresa americana Fairisaac cria um
modelo específico para a associação.
Sem o
cadastro positivo, o consumidor paga uma taxa de juros baseada no histórico
do sistema financeiro. Com a implementação desses
dados de adimplência ao já conhecido banco de inadimplência, os clientes
receberão uma nota de risco, assim como as empresas ganham seus ratings. Quanto mais próximo ao triplo A as pessoas
estiverem, menores são os custos de um crédito. “Essa redução vai ser muito
importante para o sistema financeiro”, diz Alencar Burti,
presidente da ACSP. Em países onde o cadastro positivo já está implementado, os cidadãos procuram fazer compras a prazo
para manter seu histórico atualizado e melhorar a sua nota. Essa escolha pode
fazer diferença na aquisição de um bem de grande valor. “O americano se
preocupa com o histórico porque sabe que ele pode fazer diferença no custo de
um financiamento”, diz Eduardo Giestas, presidente
da Equifax do Brasil.
Isto é
Dinheiro num. 0540
http://clipping.planejamento.gov.br/