Seguro-fiança ganha espaço do fiador no mercado de locação
Especialistas do setor preveem
a ampliação dessa participação nas grandes cidades e a redução no preço
O seguro-fiança ganhou participação nos contratos de locação residencial nas
grandes cidades, tirando espaço do tradicional fiador e do depósito de caução.
Na cidade de São Paulo, esse tipo de garantia passou de uma fatia de apenas
9,4% em junho de 2005, primeiro ano da pesquisa no formato atual, para 27,4% no
mesmo mês deste ano, segundo o Creci-SP
(Conselho Regional de Corretores de Imóveis).
De olho nessa expansão, as seguradoras investem no aperfeiçoamento do produto,
ampliando a cobertura além da inadimplência com aluguel, incluindo também
pintura, água, luz, gás e danos ao imóvel, entre outros.
"A participação tende a crescer. Em dez anos, acredito que seja a garantia
predominante nas grandes cidades", afirma José Augusto Viana Neto,
presidente do Creci-SP, lembrando as dificuldades em
conseguir um fiador nesses locais.
Para ele, as alterações na Lei do Inquilinato, em vigor desde janeiro, podem
contribuir para essa expansão, devido à maior facilidade do fiador para se
desvencilhar do contrato.
Em caso de divórcio do casal que mora no imóvel, por exemplo, o fiador pode se
eximir da responsabilidade 120 dias depois da notificação ao locador, em vez de
ficar "preso" mesmo que não conheça bem o cônjuge que permaneceu na
moradia.
RAPIDEZ
Na avaliação de Jaques Bushatsky, diretor de
legislação do inquilinato do Secovi-SP (Sindicato da
Habitação), o seguro-fiança "é a melhor modalidade porque é a única em que
o locador recebe automaticamente. Nas outras, é preciso entrar com uma ação de
despejo para então fazer a cobrança".
Segundo ele, o período entre a decisão favorável a uma ação de despejo e o
recebimento dos aluguéis atrasados pode chegar a um ano.
Para Viana, um dos empecilhos à aceleração do ritmo de crescimento ainda é o
valor do seguro-fiança. "É muito caro. As seguradoras imputam uma taxa de
risco muito alta", analisa.
Na Porto Seguro, que domina esse segmento, o pagamento varia de 0,8 a 1,3
vez o valor do aluguel. Apesar disso, segundo o gerente da empresa Luiz
Carlos Henrique, há inquilinos que também preferem o seguro-fiança, mesmo tendo
uma despesa extra com a locação.
Assim, diz, conseguem se livrar do constrangimento de sair em busca de um
fiador em locais em que têm poucos ou nenhum amigo ou parente para pedir o
favor.
"Há muito o que crescer. O produto ainda tem
baixa utilização por desconhecimento dos locadores", analisa Rogério
Vergara, presidente da comissão de crédito e garantia da Federação de Seguros
Gerais. "Quanto maior for o volume de adesões, menor será o custo
unitário. A tendência é que o preço caia."
Folha de S.Paulo – 19/08/2008
TATIANA RESENDE
- DE SÃO PAULO