Com a liberdade para escolher a instituição de sua preferência, funcionário pode
estudar a proposta mais vantajosa
A
guerra para seduzir as polpudas contas-salário dos servidores públicos já
começou. Mal o governo deu liberdade para que cerca de 13 milhões de
funcionários façam a transferência automática do dinheiro para instituições
financeiras de sua preferência, bancos, cooperativas e financeiras deram
início a uma batalha desesperada para ganhar a confiança dessa privilegiada
parcela da população. Os dados do governo mostram que, ao longo de 2012,
apenas os servidores
federais movimentarão mais de
R$ 200 bilhões. Alguns bancos que contavam com o conforto da exclusividade
temem perder esse filão, marcado por estabilidade no emprego, baixo risco de
calote, alto poder aquisitivo e ganhos 43% maiores que os da média da
remuneração dos brasileiros.
A
portabilidade das contas já é um direito adquirido dos empregados da
iniciativa privada desde 2009. Mas só desde a última segunda-feira, primeiro
dia útil de 2012, chegou aos servidores públicos. Agora, o antigo banco do
servidor é obrigado a aceitar a opção do funcionário pela mudança em um prazo
de até cinco dias úteis. O salário tem que estar disponível na nova conta
corrente, no mesmo dia do crédito do salário, até as 12h. "O banco é
obrigado a dar o cadastro da pessoa e todos os dados antigos têm que constar
no novo talão de cheque. Vale lembrar que a conta-salário é isenta de tarifa,
segundo determinação do Banco Central", alertou Abelardo Duarte de Melo
Sobrinho, diretor de desenvolvimento organizacional do Sistema de
Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob).
Sobrinho representa um segmento que se apressou para aproveitar os bons
ventos soprados pela portabilidade.
Cooperativas
Além de taxas menores para crédito pessoal, cheque especial e cartão de
crédito, quem se associa a uma cooperativa de crédito, diz ele, tem a
vantagem de receber de volta, às vezes com juros, a cota de contribuição
sobre o capital que é depositada todo mês. Em Brasília, na média, esse
percentual chega a 1% do principal. Sobrinho exibiu dados de um estudo no
qual as taxas oferecidas pelas cooperativas aparecem bem abaixo das
praticadas por bancos comerciais ou financeiras. Em
2011, no segmento cooperativado, o custo do crédito pessoal foi de 2,2% ao
mês. Nos grandes bancos, chegou a 4,6%. No cheque especial, as cooperativas
praticaram 4,6% mensais, longe dos 6,5% dos concorrentes. No cartão de
crédito, a
diferença foi maior: 7% nas cooperativas e 10,5% nas grandes instituições, em
média.
A
concorrência está tão acirrada que os bancos sequer escondem suas
estratégias. Para atrair o servidor, o Santander preparou conta sem tarifa
mensal, cartão de crédito livre de anuidade e tarifa fixa. Além disso,
oferece 10 dias por mês sem juros no limite do crédito da conta corrente. Os
clientes do segmento Van Gogh, de alta renda, terão 50% de desconto no pacote
de serviços, dois cartões de crédito (Master e Visa) e até 10 adicionais.
Contarão ainda com espaços privativos nas agências e atendimento gerencial
por telefone até a meia-noite.
O Banco do
Brasil, maior detentor de contas de servidores, não fica atrás. Em um
conjunto de iniciativas pró-servidor,
armou-se de artilharia pesada para não perder clientes. Além da ampliação dos
pontos de atendimento, oferecerá produtos especiais e, sobretudo, tarifas
diferenciadas, a fim de segurar o funcionalismo. "Estamos trabalhando
para reter essas contas-correntes e fazer crescer nossa carteira", disse
Sérgio Nazaré, diretor de Clientes e Pessoas Físicas da instituição.
Mas, como
o BB, o Itaú Unibanco e a Caixa não deram detalhes sobre taxas. O Itaú
informou que está empenhado em levar os melhores produtos e serviços e em ser
líder em satisfação de seus clientes. "Oferecemos pacotes de benefícios
para cada perfil", afirmou Cícero Araújo, diretor comercial do Itaú
Unibanco. A Caixa destacou que os benefícios serão grandes e que ainda há
tempo para abrir uma carteira de investimentos em condições diferenciadas. O
Bradesco comentou o assunto.
Compare as
taxas (Em % ao mês)
Vejas os juros médios cobrados no mercado por vários tipos de instituição
Modalidades
- Cooperativas - Bancos
Crédito pessoal - 2,2 - 4,6
Cheque especial - 4,6 - 6,5
Cartão de crédito - 7,0 - 10,5
Fonte:
Banco Central e Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob)
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Autor(es): » VERA BATISTA
Correio Braziliense - 05/01/2012
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