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>> Dicas >> Bancos >> Cadastro positivo no país elevaria crédito a R$ 3 tri
Cadastro positivo no país elevaria crédito a R$ 3 tri


Bom pagador: Mais oferta e inadimplência menor nas economias com birô

Em dez anos, o volume de crédito na economia brasileira pode dobrar de tamanho, a mais de R$ 3 trilhões, se o Senado aprovar a criação do cadastro positivo. As estimativas são da Accenture, que, junto com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizou uma pesquisa qualitativa com 63 grandes empresas brasileiras e ouviu 90 executivos com o objetivo de capturar qual o nível de entendimento ao projeto de lei nº 263, que está na Comissão de Economia. Pôde, assim, captar as críticas ao modelo desenhado e também o grau de prontidão dos diversos setores que se relacionam com o consumidor para aderirem aos birôs que reuniriam não só informações restritivas como também dados sobre o bom comportamento dos devedores.

A melhoria na gestão do risco de crédito foi o principal benefício apontado por 54% dos entrevistados. Desse contingente, 90% esperam que a inclusão de uma pesquisa prévia com informações positivas de crédito leve à redução das taxas de inadimplência e, consequentemente, ao aumento da oferta de crédito na economia.

"Países que permitiram a implementação do cadastro positivo em três anos observaram um aumento da ordem de 20% no estoque de crédito da economia", diz Carlos Vianna, líder da área de gerenciamento de risco da Accenture na América Latina, referindo-se a um estudo do Banco Mundial com 120 nações. O executivo cita ainda pesquisa feita por John Barron e Michael Staten, com 50 países que adotaram o cadastro positivo, onde se observou uma queda de até 43% na taxa de inadimplência.
Foto Destaque

A melhora na precificação do crédito foi o segundo ponto destacado no levantamento da Accenture, citado por 23% dos executivos ouvidos. "Hoje, a precificação é feita pela média, ou seja, o cliente bom paga pelo ruim", diz Tales Lopes, especialista sênior em crédito da Accenture, que conduziu a pesquisa no Brasil. Preocupações acerca da preservação do sigilo bancário foram apontadas, porém, como um dos fatores redutores da participação dos bancos nos birôs.

O economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, acredita que, embora o projeto de lei tenha previsto que a adesão seja voluntária, o Banco Central (BC) tende a sistematizar a participação das instituições financeiras como um todo. "É do interesse da autoridade monetária aumentar a segurança na concessão e reduzir a assimetria de informações." Para Solimeo, apesar de grandes bancos como Bradesco e Itaú Unibanco terem construído bases de dados robustas ao longo do tempo, que servem de parâmetro na aprovação do crédito, o que não é possível ainda é saber o grau de endividamento, o quanto daquela renda está comprometida com outras operações no sistema.

O cadastro positivo se prova particularmente importante para economias emergentes, diz Vianna. Ele cita o exemplo do México, em que, tal como o mercado brasileiro, há grande peso da economia informal e onde o crédito imobiliário pôde se desenvolveu de maneira sensível a partir do uso dos birôs. "O que está por trás disso é que o consumidor não tem mais que mostrar quanto ganha, mas como gasta a sua renda."

A exigência para que o consumidor dê autorização prévia para a inclusão do seu nome no cadastro positivo foi uma das críticas feitas ao projeto de lei: 62% deles consideram que esse requisito deveria ser abolido. "Experiências internacionais mostram que clientes adimplentes tendem a se sentir estimulados a dividir as suas informações", afirma Tales Lopes. Outra crítica feita pelos executivos entrevistados pela Accenture foi a não obrigatoriedade da participação das empresas no compartilhamento dos dados. Essa foi a principal razão apontada para não participarem do sistema, já que haveria incertezas se todos contribuiriam com informações.

O projeto de lei 263 recebeu aval da Comissão de Constituição de Justiça do Senado em maio. A proposta do então Senador Rodolpho Tourinho (DEM/BA) já tinha sido aprovada pela Câmara dos Deputados com uma emenda, por isso tramita novamente no Senado. A inclusão feita pela Câmara no texto estabelece que deverá haver a prévia concordância e autorização expressa do consumidor para os registros.

Autor(es): Adriana Cotias, de São Paulo
Valor Econômico - 09/08/2010






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