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>> Dicas >> Consumidor >> Para gastar sem culpa e investir (praticamente) sem erro
Para gastar sem culpa e investir (praticamente) sem erro


Este livro é um guia de finanças diferenciado e com particularidades consideradas relevantes, pois mostra como Mara Luquet cuida de seus recursos acumulados e como ela conduz seus próprios investimentos. A jornalista explica e compartilha suas experiências com gestão de orçamento

Alguém seguiria os conselhos financeiros de quem voltou de uma viagem à Índia trazendo mais de US$ 1 mil em peças de roupas típicas, que em raríssimas ocasiões poderão ser usadas em uma cidade como São Paulo, e sem possuir ao menos um guarda-roupa em casa para abrigar toda essa quantidade de trajes?

Em seu novo livro, "O Meu Guia de Finanças Pessoais", a jornalista Mara Luquet conta em detalhes como decidiu deixar de mobiliar seu apartamento recém-reformado na capital paulista em troca de uma viagem para o Leste da Ásia.

O principal destino foi o Butão, pequeno reino encravado nas cordilheiras do Himalaia, situado entre a Índia e o Nepal. Lá se desenvolveu o conceito de felicidade nacional bruta, transformado em indicador para medir a felicidade média dos habitantes do país. As ações governamentais são tomadas com o objetivo de levar esse índice para cima.

Entre relatos de uma visita e outra a pontos turísticos do Butão, Mara reflete sobre suas finanças pessoais, à medida que revela aspectos do conhecimento que acumulou ao longo dos mais de 15 anos em que acompanhou profissionalmente as atividades do mundo financeiro. Atualmente, ela faz comentários sobre finanças pessoais na rádio CBN e na Rede Globo. Foi editora de investimentos do Valor, por cinco anos.

Apesar do título ambicioso, é um livro ameno. No fim, mesmo que o leitor possa não saber com certeza se aprendeu a gastar sem culpa ou a investir (praticamente) sem erro, certamente terá feito uma leitura agradável.

Uma boa história contada no livro, por exemplo, é a de Márcia, que decidiu ensinar aos filhos pequenos como poupar. Depois de um cofrinho ficar cheio de moedas, ela levou as crianças a uma agência bancária para depositar as economias e fazer uma aplicação financeira. Apesar de enfrentarem problemas para atravessar a porta automática do banco e atrapalharem a fila de atendimento, porque não havia máquinas para contar as moedas, conseguiram fazer a aplicação.

Mara faz as contas e revela que as moedas economizadas por Márcia e os filhos renderam R$ 164 que, se investidos trimestralmente em uma aplicação com rendimento de 6% ao ano, resultariam em mais de R$ 25 mil no fim de 20 anos.

Os gastos com as roupas indianas servem como exemplo para mostrar o efeito dos juros compostos. Em junho de 1996, US$ 1.000 correspondiam a R$ 998. Se aplicados num investimento de renda fixa com remuneração equivalente a um CDI, virariam mais de R$ 11.000 em dezembro de 2010.

Mara explica que, se é para gastar, melhor contar apenas com o que se tem. Se ela tivesse financiado os gastos com os trajes indianos no cartão de crédito, seriam necessários 48 anos para quitar a dívida, se pagasse mensalmente apenas o valor mínimo da fatura. As roupas acabariam muito antes. Ela reconhece que não deveria ter comprado tanto, mas não é radical a ponto de promover um bazar em casa para repassar o problema para amigos, parentes ou conhecidos.

Ao longo de sua carreira, Mara conta que cometeu muitos erros financeiros: foi obrigada a se endividar nas altas taxas de juros cobradas no Brasil e até comprou títulos de capitalização. A necessidade fez com que ela decidisse se livrar das dívidas e, com a experiência, começou a prestar atenção aos conceitos seguidos por pessoas bem-sucedidas financeiramente.

O fundamental, para ela, é saber a razão pela qual se está guardando dinheiro. Sem um objetivo claro, a chance de não se resistir à tentação consumista é grande. Outro ponto importante é guardar o montante adequado: nem muito que obrigue a cortes radicais no orçamento, nem tão pouco que torne inalcançável o objetivo visado.

A partir daí, a recomendação é para entender o funcionamento dos produtos financeiros e evitar as armadilhas, com bom humor e meditando, se possível nas trilhas do Himalaia.
Marcelo d'Agosto
Valor Econômico

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