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>> Dicas >> Bancos >> Constrangimentos para a expansão do crédito
Constrangimentos para a expansão do crédito


Contrariando a tradição, janeiro começou com forte demanda de crédito para investimentos por parte das empresas. Normalmente as empresas suspendem as contratações de crédito no início do ano e só voltam a bater na porta dos bancos após as férias de verão. Desta vez está sendo diferente, mas há obstáculos a superar.

A demanda por empréstimos aumentou a partir de outubro e manteve o ritmo desde então. A busca por crédito fora de hora impressionou até os bancos. No Banco do Brasil (BB), o financiamento de projetos de investimento subiu 9% nos últimos três meses do ano passado em relação ao mesmo período de 2008. Só em dezembro, o saldo da carteira do banco cresceu 4,5%. O ritmo de janeiro indica a continuidade desse movimento. Apenas nos primeiros 15 dias do ano, o BB aprovou 45 projetos de médio e grande porte, financiados com repasse de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Considerando apenas os projetos de expansão de capacidade produtiva, o total envolvido supera os R$ 12,4 bilhões.

A principal razão da maior demanda de crédito para investimento é a expectativa de crescimento da economia de até 6% neste ano.

O próprio Banco Central (BC) prevê que o crédito vai aumentar 20% neste ano, o que representa um avanço, depois da desaceleração que houve entre o fim de 2008 e começo de 2009, provocada pela crise internacional. Em 2009, o estoque de crédito cresceu 14,9%, atingindo R$ 1,41 trilhão, o equivalente a 45% do PIB. Em 2008, o crédito havia subido 31,1%.

A recuperação começou pelas operações com pessoas físicas e, no fim do ano, aconteceu também nas linhas para empresas. Mas o crédito para pessoas físicas cresceu 19,7%, mais do que os 11,2% das operações com pessoas jurídicas.

Um dos problemas é que a única fonte de financiamento de longo prazo no mercado interno é o BNDES. Foi o BNDES que garantiu fluxo de oxigênio para as empresas no ano passado. Suas linhas aumentaram 34% em comparação com o crescimento raquítico de 1,2% das linhas dos próprios bancos.

O saldo dos financiamentos feitos pelo BNDES atingiu R$ 280,4 bilhões, de acordo com informações do Banco Central. Parte desses recursos foi repassada pelos bancos, mas a maior fatia foi emprestada diretamente. As consultas ao BNDES somaram R$ 200,6 bilhões nos primeiros onze meses do ano, com aumento de 22,8% sobre 2008. O destaque foi o aumento de 50,6% da demanda do setor industrial, especialmente das áreas de coque, petróleo e combustível.

Não se pode esquecer que o desempenho do BNDES não seria tão fulgurante sem duas explicações. Do lado dos desembolsos, a operação feita com a Petrobras, que abocanhou R$ 20 bilhões; e, do lado do funding, as injeções do Tesouro. O BNDES recebeu R$ 100 bilhões do Tesouro para cumprir o papel de suprir recursos de longo prazo para as empresas brasileiras durante a crise. Mais R$ 80 bilhões devem ser injetados neste ano.

Apesar de o BNDES ter irrigado o mercado de crédito para empresas em 2009, sem o qual a aridez teria sido insuperável, dado o estreitamento da liquidez causado pela crise internacional, as operações com o Tesouro preocupam.

Os recursos do Tesouro custam mais do que o BNDES recebe pelo crédito concedido. A injeção de dinheiro do governo nos bancos públicos teria sido o principal motivo do aumento da dívida pública em 2009. Até o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, espera que os bancos privados assumam participação maior no crédito neste ano para que ele possa se dedicar a projetos de maior fôlego.

Até agora, os bancos privados preferiram se empoleirar nas lucrativas e menos arriscadas operações de curto prazo, alegando falta de fundos de longo prazo. Para superar esse problema, foi criada a letra financeira, título de captação cuja regulamentação pode sair neste mês.

A expansão do crédito esbarra em outro problema, que é a perspectiva de aumento da da taxa básica de juros. O mercado aposta que a taxa básica sairá dos 8,75% atuais para 11,25% no fim do ano, em algumas rodadas de elevação, a começar no segundo ou terceiro trimestres. O custo de captação dos bancos já começou a subir em setembro e o repasse aos tomadores de crédito é apenas uma questão de tempo.

Valor Econômico – 27/01/2010 – Editorial
http://www.andima.com.br/clipping/clipping.asp






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