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>> Dicas >> Crédito >> O crédito nos países emergentes
O crédito nos países emergentes


O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou ontem, já nas preliminares da sua Assembléia Geral, em Cingapura, um interessante Relatório da Estabilidade Financeira Global que, num do seus capítulos, examina o crescimento do crédito pessoal nas economias emergentes.

Já o fato deste assunto merecer um capítulo especial mostra que, ao contrário do que afirma o governo, o Brasil não é o único país que aumentou a oferta de crédito pessoal com o intuito claro de impulsionar a demanda por bens e serviços. As comparações dos dados brasileiros com os de outros países padecem da grande dificuldade de que, no “Brasil das vendas em suaves prestações”, o financiamento do consumo das famílias não se faz diretamente, mas por meio de créditos dados às lojas do varejo, o que obscurece a avaliação do montante do crédito pessoal. Assim, a posição do Brasil é grandemente subestimada: enquanto o crédito pessoal representa 18% do PIB na média dos países emergentes, no Brasil cai para 10% (é de 90% nos EUA, onde o crédito imobiliário é muito importante e de prazo longo). Verifica-se que, entre os emergentes, os da Ásia exibem a maior relação (27,5%) com o PIB, o que se explica pela cultura da poupança que oferece segurança às instituições financeiras.

Em todos os países emergentes houve aumento do crédito pessoal, como resultado da abertura dos mercados internos à participação de bancos estrangeiros e do crescimento da liquidez internacional.

Observa-se nos gráficos apresentados que o Brasil, depois do Chile, é o país onde é maior o financiamento pelas lojas, assim como o número de cartas de crédito por mil habitantes. Entre os latino-americanos, o Brasil ocupa o segundo lugar depois da Venezuela no aumento do crédito pessoal entre 2004 e 2005, crescimento que neste ano se acelerou dada a expansão do crédito consignado.

O Brasil não aparece na lista dos juros pagos pelo consumidor, em que a Bulgária é a campeã (10,2% em termos reais, taxa inferior à do Brasil, pelos dados divulgados a cada mês pelo Banco Central). Em compensação, o Brasil, entre todos os países, é, de longe, o que tem a menor participação do crédito imobiliário no total dos empréstimos pessoais, situação que poderá ser modificada pelas medidas anunciadas ontem.

Cabe, finalmente, assinalar que nos EUA o crédito pessoal representa 132,7% da renda familiar. Nenhum dado foi divulgado para os países latino-americanos.

O Estado de S.Paulo

Editorial 





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