Todos repetem e, você inclusive está cansado de ouvir, que nos encontramos em
um mundo bastante diferente daquele de nossos pais e avôs.
Ao
contrário do que atualmente comumente é ouvido de que agora é a vez do Brasil e
de que nos encaminhamos rapidamente para sermos um país plenamente desenvolvido
e, em sua imaginação você interpreta esta onda de
ufanismo como significando de que você, seus familiares e amigos finalmente vão
ser ricos ou pelo menos terão uma vida mais confortável, para seu próprio
bem, a seguir vou tentar frear esta sua potencial euforia.
Não pensem que o Frankenberg tende a ser pessimista. Estou sendo realista,
pois lembro bem as lições de “História Universal” que aprendi pelos anos afora!
É por essa e outras razões que
prefiro colocar uma pitada de realismo neste seu otimismo. Você
pode acabar pensando que a futura transformação do
Brasil vai lhe beneficiar automaticamente e de que nada irá depender de
seu próprio envolvimento. Lamento desiludi-lo!
Graças à
mais moderna medicina, a expectativa de vida aumentou enormemente
no mundo todo, inclusive no Brasil.
De acordo com o IBGE, aos que
hoje já possuem 60 anos terão em média mais 22 anos de vida e aqueles que
já alcançaram 70 anos terão em média mais 17 anos de sobrevida.
Por esta única razão e tomando
cuidado com alguns imprescindíveis fatores como saúde, alimentação e
mantendo uma vida ativa física e mentalmente, você caro
leitor poderá chegar com bastante probabilidade aos 80 a 85 anos e
você cara leitora, aos 90 a 92 anos de idade.
Esses números significam que se
você parar de trabalhar ativamente, digamos aos 60 anos, sendo homem, terá outros
20 a 25 anos pela frente e 30 a 32 anos se for mulher.
Por que, então, desejo induzir
que imagine se encontrar na véspera do dia em que
vai parar de trabalhar?
Vou abreviadamente explicar
algumas razoes, pois sei o que ocorreu e
continua ocorrendo com muitos dos meus clientes e ex
clientes.
Mais outra razão da minha insistência em alertar é que desde 1990 leio
muito a respeito do assunto em órgãos especializados do mundo inteiro e
que estão sinalizando grande preocupação com o financiamento da aposentadorias das suas populações.
O fator
mais relevante que desejo enfatizar é que uma imensa quantidade de
pessoas pertencentes às classes média e alta não terão fontes
suficientes de renda para manter seus padrões de vida.
Aproximadamente 70% a 80% dos executivos * ( pense
nas classes A e B) com quem mantive ou continuo mantendo alguma
forma de vinculação, tiveram que reduzir drasticamente seus orçamentos de
despesas, alguns tendo até que mudar de moradia e outros
passando para alguma classe sócio econômica mais baixa do
que aquela a que estavam acostumados a estar quando pararam de
trabalhar ou mesmo após um pequeno lapso de tempo.
*(
percentual tirada da minha memória após refletir bastante a respeito, pois
alguns já faleceram e outros com o passar do tempo perdi contato)
Viúvas de alguns ex clientes executivos de diversas empresas nacionais
ou multinacionais, em algum momento vieram a mim para se consultor e (eu
sabendo o quanto haviam ganho os maridos em vida, pois fazia o imposto de
renda deles) para meu espanto descobria que a única fonte de
renda realmente confiável e periódica delas era a pensão do INSS ou então
de algum fundo de pensão vindo do estrangeiro para alguns poucos. A maioria
teve que alterar completamente seu estilo de vida para sobreviver.
Como acredito que parte importante dos meus
leitores, provavelmente ainda são jovens e de que a maioria irá depender
unicamente da pensão do INSS por pertencerem a empresas da iniciativa privada,
vocês irão receber como um máximo, 10 salários mínimos
porém provavelmente até menos quando pendurarem as
chuteiras.
Devido a minha própria
experiência confesso que este montante mensal geralmente
termina sendo muito menor que a expectativa da gente e de que a
renda mensal efetivamente recebida é absolutamente
insuficiente para levar o mesmo estilo de vida que se costumava ter
anteriormente à aposentadoria.
Infelizmente as instituições financeiras que atualmente operam
com planos de aposentadoria complementar não são suficientemente
esclarecedoras em prever quanto você irá receber mensalmente. (e nem
tem como!) Afinal qual será a taxa inflacionária daqui a 10,15, 20 ou 25
anos ou seja, qual será a perda de valor
aquisitivo por ocorrer à nossa moeda? O mencionado fator tem
importância fundamental para alguém se
conscientizar das conseqüências
e se prevenir em tempo.
Adicione ao fator inflacionário
anterior que você e as entidades de previdência complementar somente
reconhecerão o quão prejudicial será este fator por ocasião do pagamento
da futura pensão mensal após inúmeros anos de acumulação de capital e
do desconto das taxas de administração (carregamento) além dos
tributos incidentes sobre os investimentos e de parte da renda mensal que
será tributada por ocasião da declaração anual do
contribuinte.
Em suma, sua futura renda periódica, caro amigo e amiga,
será um ponto de interrogação, que dependerá demasiadamente de fatores
desconhecidos (incógnitas). ?
No afã de tentar lhe convencer da necessidade de iniciar algum
plano complementar de aposentadoria inúmeras entidades
de previdência privada preparam levantamentos e fazem
simulações, pois será mais fácil convencer a clientela com algumas cifras
apetitosas, ao invés de responder a sua indagação com um simples “nós
não sabemos quanto você irá receber daqui a X anos”.
Uma dessas entidades em sua
atrativa brochura fornece exemplos do que pode ocorrer com
180 contribuições mensais de R$ 600,00 (15 anos) e a taxas de
rentabilidade de 6%, 8%, 9% e 10% ao ano; nela é
possível visualizar valores acumulados de, R$ 167 mil, R$ 197 mil,
R$ 214 mil e R$ 233 mil. A brochura em sua tentativa de ser honesta
cita que a taxa de carregamento em cada
contribuição de R$ 600,00 é de 3%. Tudo é matematicamente correto mas, não está embutida a corrosão acumulada da
moeda durante 15 anos e nem o fato a ser considerado se daqui a
15 anos ainda será possível com realismo obter-se um rendimento de digamos 10%
ao ano para os investimentos. Provavelmente não.
A experiência com minhas
próprias finanças, mas também com a da clientela que servi pelos anos afora,
me leva a concluir que sempre é melhor considerar a rentabilidade
mais baixa como aquela que você irá receber com maior probabilidade
e jamais a mais elevada.
Mesmo a taxa mais baixa de
6%, indicada acima, no cálculo da mencionada
entidade de previdência nacional, provavelmente ainda é demasiada
elevada e talvez fosse melhor se pensar em 3% ou 4% ao ano como as mais provavéis.
Sou autor do livro “Seu Futuro Financeiro”, que em 1999 foi pioneiro em nosso
país na divulgação do planejamento financeiro pessoal, livro que
por inúmeros anos vendeu muito bem, mas agora está esgotado. Pois bem,
toda a página 243 do referido livro é dedicada à
uma tabela na qual cito como é possível e muito fácil dilapidar
integralmente um elevado capital.
São citados capitais acumulados
que vão desde R$ 10 mil até R$ 2 milhões, considerando um rendimento anual de
7% com pagamento de juros trimestrais que desconsideram os fatores inflação e
imposto de renda. Portanto se assemelham muito em como se formam os capitais
acumulados dos atuais PGBL e VGBL. Através da tabela, procuro
mostrar como é fácil perder o poder de compra deste capital, mesmo a um
rendimento significativo de 7%, e que para se esgotar integralmente
o dinheiro acumulado, basta gastar um pouco mais do que possa ser considerado
prudente...
A tabela a seguir mostra quanto
é possível “gastar ou queimar” por mês até esgotar ou zerar o
capital que havia sido acumulado durante 10, 15, 20 ou 25 anos.
Da referida tabela vou citar
apenas um montante bastante elevado de R$ 1 milhão acumulado, para você
entender aonde desejo chegar ou seja, demonstrar a
facilidade com que nós, ao nos considerarmos ricos, gastamos
cifras mensais demasiadamente elevados para chegarmos ao fim do período
considerado ao ponto de não possuir mais nenhum capital!
Vamos lá repetindo capital
inicial R$ 1 milhão – rendimento 7% ao ano;
- Para dilapidar este dinheirão em 10 anos, você pode gastar
R$ 11.600 mensais
- Para dilapidar este dinheirão em 15 anos, você pode gastar
R$ 8.960 mensais
- Para dilapidar este dinheirão em 20 anos, você pode gastar
R$ 7.720 mensais
- Para dilapidar este dinheirão em 25 anos, você pode gastar
R$ 7.040 mensais
- Para manter o capital original intacto você pode
gastar R$ 5.850 mensais
Você prefere ser mais
modesto, faça então seus próprios cálculos dividindo
todos os valores por 2, 3 ou 4 que resultarão em rendimentos mensais
proporcionalmente menores.
Eu quero que esta tabela serva de alerta para que pelo
menos tomem algumas medidas preventivas, ainda quando jovens, que
certamente resultarão em uma vida mais confortável
e tranquila com mais recursos para não terem
sobressaltos na velhice.
De sobremesa mais alguns
conselhos;
Pouquíssimas pessoas, segundo estudos feitos, chegam à
idade de se aposentar e possuindo suficiente capital e/ou
fontes de renda para não precisarem continuar trabalhando.
Lembre-se que durante todos estes anos,
além poupar para a aposentadoria, você não pode esquecer sua
alimentação, de ter lazer, de adquirir sua própria moradia, seu veiculo, de dar
a melhor educação possível aos seus dependentes, e ainda ter de pagar os
elevados impostos incidentes sobre todos esses
itens.
Acostume-se, desde logo, a gastar mensalmente um pouco menos do
que ganha e invista em plano de aposentadoria, ações,
poupança e outros investimentos. A formiga e o esquilo, mesmo sendo
considerados irracionais, sabem que é prudente guardar alimento
para o inverno (futuro)!
Lembre-se sempre, você tem apenas um limitado número de
anos para fazer um pé de meia, geralmente, não mais de 30 anos, dependendo é
claro da sua idade atual.
Sempre reflita muito bem à quem você
vai entregar seu rico dinheirinho, pois a entidade financeira escolhida
deve continuar existindo quando você, futuramente tiver de se apoiar
integralmente nela.
Com um forte abraço e até o
próximo blog!
Louis Frankenberg,CFP® - 02-05-2011
Blog: http://www.seufuturofinanceiro.blogspot.com/