Oito executivos de áreas diferentes dizem o
que um profissional precisa saber para ser contratado hoje
É comum ouvir no mercado que falta gente qualifi
cada para preencher as vagas abertas nas empresas. “Quando se fala de profi ssionais realmente bons,
com experiência, capacidade de liderança, as ofertas são poucas”, diz Renata Lindquist, da consultoria de busca de executivos Mariaca, com sede em São Paulo, confi rmando uma percepção que assombra as companhias que têm
plano de expansão. Alguns requisitos básicos, como falar inglês fl uentemente, ter cursado uma
faculdade de renome e mostrar experiência na área em que se deseja atuar abrem
portas, mas não são imprescindíveis em todos os mercados.
Na verdade, o currículo essencial muda de acordo com a empresa. “As companhias
vão precisar de gente ambiciosa, com visão interdisciplinar, que dialogue com
outras áreas além da sua, pensando na organização como um todo”, diz Gil van
Delft, diretor da consultoria de busca de profi ssionais Page Personnel, com
escritório em
São Paulo. Como as principais operações das organizações em
expansão continuam sendo as internacionalizações, fusões e aquisições, é importante lidar e ter experiência com diversidade
cultural.
As características pessoais — e a prova de que um profi
ssional usou o que sabe a seu favor para conseguir
sucesso —, portanto, são mais importantes do que formação impecável,
principalmente quando se trata de gente com alguns anos de experiência.
“Comprometimento e fl exibilidade,
por exemplo, são habilidades que não se coloca em currículo, mas que avaliamos
durante as entrevistas”, diz Gisleine Camargo,
gerente da KPMG, consultoria de gestão de São Paulo.
ENTREVISTAMOS EXECUTIVOS DE EMPRESAS DE TAMANHOS E MERCADOS DIVERSOS E FIZEMOS
A ELES A MESMA PERGUNTA: “O QUE UM PROFISSIONAL PRECISA PARA
SER CONSIDERADO QUALIFICADO?”. ELES RESPONDEM AQUI ,
DE ACORDO COM O QUE É ESSENCIAL EM SUAS ÁREAS, O QUE VALORIZAM AO FAZER UMA
CONTRATAÇÃO.
PAULO BASÍLIO
Diretor superintendente da ALL, companhia de logística, do Paraná
“Formação boa é valorizada, mas não mais que
atitude e vontade de crescer rapidamente. Esse é o perfi
l que buscamos. Costumo perguntar pelas decisões que um profi
ssional tomou na vida, vejo se ele arriscou, se
aceitou fazer algo diferente no trabalho ou em outras áreas que demonstrem sua
ousadia.”
LUIS DELFIM
Presidente da Guararapes, representante da Coca-Cola, de Pernambuco
“Não esperamos que um profi
ssional esteja pronto, pois investimos em formação. Mas
ele tem de mostrar que se atualiza em relação ao mercado e ao mundo. Se está na
área comercial, o que tem feito para vender mais? Ele está a par das novas
tecnologias? Como faz para prever tendências? Valorizo qualidade nos
resultados, mais do que quantidade.”
GUSTAVO DIAMENT
Vice-presidente de marketing da empresa de
telefonia Nextel, de São Paulo
“Tem de ser inconformado com o que há na
empresa e mostrar resultados que demonstrem que saiu do lugar-comum. Também é
importante construir relações colaborativas em todos os níveis da corporação
para resolver os problemas. Inglês é essencial, experiência é importante. Mas
competências técnicas podem ser aprendidas.”
RODRIGO CASERTA
Vice-presidente de estratégia de mercado da
Totvs, empresa de TI, de São Paulo
“Precisamos de gente que traga ideias ousadas. Alguns cargos pedem conhecimento técnico,
mas é mais importante a capacidade de liderança, mesmo que seja sobre pessoas
de outras equipes: nossos resultados são medidos pelo desempenho de outras
áreas. Quem cursou MBA nos Estados Unidos ou Europa ganha pontos — demonstra
que se preparou e foi dedicado.”
SANTUZA BICALHO
Vice-presidente do Student
Travel Bureau, empresa de intercâmbio, de São Paulo
“Queremos gente para o varejo, e por isso é
bom ter visão generalista e formação idem, como administração ou comunicação.
Pode incluir uma pós-graduação. Quem estudou ou trabalhou no exterior conhece
outras culturas, o que importa em nosso negócio. Inglês tem de ser fl uente.”
GUSTAVO CHICARINO
Diretor de estratégia da rede Accor, de hotelaria e serviços, de São Paulo
“Fico atento ao comportamento. Estudar fora do país é importante, pois
amplia os horizontes, mas ganha relevância se a pessoa fez isso por si mesma,
se preparou fi nanceiramente,
foi organizada. Saber ouvir e trazer informação nova também é essencial, embora
não esteja no currículo.”
LUIZ
GALHARDI
Diretor
de cadeia de suprimentos da Dow, da área química, de
São Paulo
“Tem de ter iniciativa, experiência de
trabalho em equipe e saber inovar. Isso aparece na maneira como ele conta seus
resultados. Quando alguém fala que cortou custos, quero saber quais os
benefícios para o meio ambiente. Escolhemos gente das melhores faculdades e que
fale bem inglês.”
Fabiana
Corrêa
http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/qualificacao-isso-546337.shtml