Revoltas
no norte da África são ponta de
iceberg que abrange também países desenvolvidos
Na
Tunísia, os jovens que ajudaram a derrubar um ditador são chamados de "hittistes" - gíria franco-árabe para "aqueles que
ficam encostados no muro". Seus colegas do Egito, que em 1º de fevereiro
forçaram o presidente Hosni Mubarak a dizer que não vai tentar a reeleição, são
os "shahab atileen",
os jovens desempregados. Os hittistes e os shahab possuem irmãos e irmãs em todas as partes do mundo.
No Reino Unido, eles são os NEETs - "sem escola,
emprego ou treinamento". No Japão eles são os "freeters":
uma mistura da palavra inglesa "freelance" com a palavra alemã "arbeiter", ou trabalhador. Os espanhóis os chamam de
"mileuristas", o que quer dizer que eles
não ganham mais que € 1 mil por mês. Nos EUA, eles são
os "boomerangs", que voltam para a casa dos
pais depois da faculdade porque não conseguem encontrar trabalho. Até mesmo a
China, que vem crescendo em ritmo acelerado e onde a falta de mão de obra é
mais comum que o excesso, tem a sua "ant tribe" (literalmente, tribo de formigas) - jovens
recém-formados nas faculdades que se amontoam em flats baratos na periferia das
grandes cidades, porque não conseguem encontrar empregos bem remunerados.
Peter Coy - Bloomberg Businessweek
Valor Econômico - 09/02/2011