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>> Dicas >> Investimentos >> Estímulo para investir
Estímulo para investir


Carga tributária elevada é um obstáculo para que a taxa de investimento cresça e sustente a expansão da economia

O DINAMISMO do consumo foi o principal fator da rápida virada da economia brasileira após o auge da crise de 2009. Em compensação, o volume de investimentos tem apresentado recuperação mais lenta, o que é natural, pois depende das expectativas e do estado de espírito dos empresários.

O Brasil deve crescer cerca de 6% neste ano -e o aquecimento pressiona as empresas a ampliar a capacidade produtiva. As projeções apontam para uma elevação do investimento próxima a 20% até o fim do ano. Confirmada a estimativa, a taxa em relação ao PIB voltará ao nível de 18,5%, verificado antes da crise.

Há um consenso de que esse percentual não basta para sustentar o atual ritmo de expansão e afastar riscos inflacionários. Para isso, seria desejável uma taxa de investimento próxima a 25% do PIB. Todos parecem estar de acordo, também, sobre a importância de aumentar a poupança interna para manter o crescimento sem gerar deficits externos significativos.

Mas não se deve chegar à conclusão, falaciosa e frequente, de que é impossível crescer de forma acelerada sem que antes a sociedade poupe mais. A poupança não é um dado fixo, mas uma variável diretamente influenciada pelo comportamento do PIB.

Em outras palavras, é a própria realização da demanda, sob a forma de consumo e investimento, que eleva os lucros das empresas e a renda das famílias -e permite a geração da poupança que financiará a continuidade desse processo. Um dos principais objetivos da política econômica é preservar esse delicado equilíbrio com baixa inflação.

É interessante analisar estudos das entidades empresariais para compreender os obstáculos enfrentados no mundo real. Na última pesquisa da Fiesp, os aspectos mais mencionados pelos empresários como limitadores do investimento foram a elevada carga tributária (apontada por 64% dos entrevistados) e, de forma até surpreendente para o momento, a baixa taxa de crescimento da economia (na opinião de 36%). Juros e câmbio aparecem em 4º (31%) e 7º lugares (16%), respectivamente.

Os empresários estão dizendo que a elevação contínua do investimento pressupõe um esforço concreto de redução de impostos por parte do governo -o que, aliás, não é novidade. Pressupõe também -e esse é um ponto relevante- um patamar elevado e estável de expansão econômica, sem acelerações e paradas súbitas que comprometam o horizonte do planejamento empresarial.

Tais considerações contrastam com a política fiscal do governo, que não contribui para um ambiente favorável ao investimento, em especial quando parece certo um novo ciclo de aumento de juros.

 Folha de S. Paulo - 15/04/2010






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