Independente
dos nobres sentimentos e atitudes que gostaríamos que os outros
enxergassem na gente, geralmente agimos primeiramente em defesa de nossos próprios interesses. Esta
atitude ou reação a um acontecimento ou fato novo não é egoísta mas sim um atributo básico do ser humano.
O melhor
teste para confirmar o que acabo de afirmar consiste em observar nossa própria
reação quando deparamos com determinado estudo, pesquisa econômica ou
financeira que, momentaneamente nos chama a atenção.
Após
verificarmos de
que trata o assunto, procuramos ver
onde, eventualmente, nos enquadramos.
Somente
depois de termos verificado nosso próprio posicionamento em relação ao estudo
ou pesquisa em questão, é que fazemos uma avaliação mais genérica de como
outros grupos ou segmentos estão posicionados.
Os
profissionais ou
mesmo amadores que estudam e interpretam
análises e pesquisas econômicas ou financeiras de determinado segmento da população ou então em relação ao seu todo,
sempre dividem os resultados analisados em diferentes grupos componentes.
Os
diferentes grupos resultantes geralmente são quantificados e transformados em
percentuais, facilitando assim sua interpretação.
Não sou nem
um pouco diferente de você, caro leitor, e quando se trata de pesquisas ou
estatísticas econômicas, financeiras ou sociais, verifico primeiro se pessoalmente faço
parte do segmento superior, inferior ou mediana da pesquisa que estou
analisando naquele momento.
Quando
você, prezado leitor, lê em algum livro, jornal, revista, enxerga na TV ou mesmo na
Internet um desses levantamentos que lhe
interessam, qual das partes dos
mesmos seus olhos buscam primeiro? É
quase certo que seus olhos (dirigidos interessadamente por seu cérebro) quase
automaticamente irão inicialmente
se concentrar no segmento onde
imagina que você se enquadra na
pesquisa!
Com esta
reação espontânea dos olhos, comandado pelo cérebro, quero provar que o
interesse da
gente é bastante egoísta ou em outras palavras, é uma reação
espontânea ou quase um ato reflexo.
É claro que
pessoas sensíveis e estudiosas, aquelas sempre sedentas em aprender e
compreender melhor o
que acontece ao nosso redor com seus semelhantes, tentam também encontrar
respostas mais científicas e genéricas e interpretá-las a luz de diferentes fatores.
Na minha
particular condição de planejador financeiro, nos muitos anos em que tento
entender melhor como
age a pessoa física na defesa de seus próprios interesses e, naturalmente os de sua família
imediata, observo que a maioria dessas pessoas dão normalmente muito maior
importância aos fenômenos macro econômicos e financeiros do que àqueles que
mais seriam de seu próprio interesse, que são os fenômenos micro econômicos e
financeiros.
Espero que
até aqui tenham entendido este fenômeno tão difícil de explicar.
Darei um
exemplo múltiplo; quando se trata interpretar algum estudo ou pesquisa
sócio-econômica amplamente divulgada pela mídia, a maioria das pessoas gostaria
de ser igual às pessoas
de maior patrimônio e renda, de
maior destaque social, daqueles que tem o carro mais sofisticado ou a
moradia mais luxuosa. Esquecem por completo sua própria condição financeira do momento,
educação, habilidades, dons, idade, núcleo familiar e procuram se identificar
ou até igualar ao grupo que desejam
copiar.
A sociedade
em que vivemos e a própria mídia que divulga esses estudos, provoca estas irrealísticas reações, enaltecendo e promovendo algumas
pessoas fora do comum, contando quais são suas façanhas e sucessos (quase nunca
seus fracassos). As novelas na TV são prova viva e atual daquilo que estou querendo dizer.
Bem, a
finalidade dessas minhas complexas explicações é reafirmar que cada pessoa deve
em primeiro lugar priorizar suas próprias peculariedades,
conceitos e predicados.
Em razão
destas suas
prioridades inerentes aos seus predicados e peculiaridades pessoais (e as da
sua família) nos leva a proclamar que a Micro Economia e Micro Finanças são infinitamente mais
importantes que a Macro Economia e a Macro Finanças para você como indivíduo,
apesar de você ser bombardeado diariamente com muito mais estudos e pesquisas
macro.
Para
legitimar esta minha interpretação de como penso, adiciono mais o seguinte
ingrediente; você, caro leitor, é total e absolutamente diferente por dentro e
por fora dos outros 6,5 bilhões de seres humanos existentes sobre a face da
Terra e por isso não pode, em momento algum, comparar-se a outro indivíduo ( ou grupo) por mais que o conheça,
admire e queira imitá-lo.
Seu
universo e maneira de levar a vida deve ser diferente de qualquer outro ser
humano.
Tente,
portanto, ser o mais autêntico possível, prefira seus próprios sonhos,
objetivos e prioridades de vida. Seja você mesmo!
Siga mais
seus instintos e verifique a partir de agora quais são seus próprios interesses
e jamais os do macro grupo. Pare, a partir de hoje, de ver como os outros agem e certamente erram
igual a mim, a você ou seu modelo ideal que não existe.
Louis Frankenberg,CFP® 21.07.2010
Blog; www.seufuturofinanceiro.blogspot.com