Lojas reduzem parcelas e oferecem desconto à vista
A maior oferta de
crédito por parte dos bancos públicos, com juros menores, e a
redução da alíquota do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) surtiram efeitos limitados no varejo. As redes de
lojas, preocupadas com o fluxo de caixa, têm optado por oferecer
descontos à vista e um número menor de parcelas nos financiamentos.
Pesquisa feita na cidade de São Paulo pelo Programa de
Administração de Varejo (Provar), da Fundação
Instituto de Administração (FIA), em parceria com a Filisoni Consultores Associados, mostra que no terceiro
trimestre de 2009 o percentual de pessoas físicas com a
intenção de fazer compras financiadas diminui em
relação ao trimestre anterior. Segundo a pesquisa, o interesse
no financiamento só evoluiu em relação aos
automóveis.
"Embora a taxa de juros tenha caído e o
prazo médio de financiamento mais esticado, o consumidor ainda
está reticente em contrair dívidas maiores. O cliente quer
comprar produtos de menor valor no ato, por precaução",
explica o presidente do Conselho do Provar, Claúdio
Filisoni.
A pesquisa do Provar revela que a preferência pelo pagamento à
vista na aquisição de produtos da linha branca aumentou de 17%
para 23% dos entrevistados na comparação entre os terceiros
trimestres de 2008 e 2009. Na compra de móveis, subiu de 21% para
30,8% . A compra à vista supera as modalidades
de cartão de crédito, cheque pré-datado, cartão
ou empréstimo da loja, Só perde para as compras feitas com
empréstimos de financeiras, segundo a pesquisa.
O diretor comercial da Lupo, Valquírio
Cabral Junior, informa que as compras à vista aumentaram 20% no
período de janeiro a junho deste ano. O pequeno cliente que faz
encomendas, em média, de R$ 1,5 mil a cada
bimestre ou trimestre, representa 70% dos negócios da empresa. Os
grandes magazines, redes de lojas e supermercados pediram no início do
ano prazo de 90 a
120 dias para o pagamento das compras. Para não comprometer o fluxo de
caixa, a Lupo manteve o o prazo médio de
até 75 dias. A empresa aumentou em 22% o faturamento de janeiro a
junho de 2009 e registrou queda de 15% na inadimplência.
O diretor do Instituto Fractal de Pesquisa de Mercado, Celso Cláudio Grisi, explica que, antes da crise, as taxas reais do
juro (juro básico menos inflação projetada para um ano)
estavam acima dos 7,30% ao ano. Hoje as estimativas dão conta de uma
taxa de 4,6%. Mesmo assim, o volume de crédito para o consumo no
varejo, praticado anterioremente à crise
não é o mesmo. "Os bancos públicos puxaram a
redução do juro. Agora, depende dos bancos privados, do aumento
da renda e do consumo", afirma Cláudio Grisi.
Para o economista da Federação do Comércio do Estado de
São Paulo (Fecomércio), Fábio
Pina, o crédito para o pequeno e médio comércio continua
apertado. "Aqueles que tinham crédito de R$ 5 milhões em
uma instituição financeira, hoje conseguem a metade ou
até menos", afirma o presidente da Associação dos
Lojistas de Shopping (AlShop),
Nabil Sahyoun. Para
contornar o maior rigor dos bancos na concessão de crédito, as
lojas trabalham com pagamentos em até três vezes. "Quanto
menor o prazo, melhor para o fluxo de caixa da loja", diz o presidente
da Alshop.
Sahyoun lembra que no comércio há
grande participação das administradoras de cartões de
crédito, que esticaram o prazo de pagamento. Algumas lojas optaram por
repassar o alongamento do prazo ao consumidor final. Dados do Provar mostram
que de março de 2004
a maio de 2009, o prazo médio de pagamento
cresceu aproximadamente 75%. Passou de 283 dias para 495 dias.
Adriana Aguilar, para o Valor, de São Paulo
http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/
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