Pesquisa do banco Credit Suisse ouviu 4 mil pessoas de oito economias emergentes:
Brasil, Rússia, Índia, China, Turquia, Arábia Saudita, Egito e Indonésia. Os
consumidores brasileiros despontaram como os mais otimistas: 60% acreditam
que as finanças melhorarão nos próximos seis meses
Pesquisa
do Banco Credit Suisse
aponta que, entre os emergentes, o consumidor do país tem mais confiança na
melhora das finanças nos próximos meses
Os
consumidores brasileiros são os mais otimistas entre os de oito economias
emergentes. A conclusão é de uma pesquisa do Banco Credit
Suisse, que ouviu 4 mil pessoas no Brasil, Rússia,
Índia, China, Turquia, Arábia Saudita, Egito e Indonésia. Aqui, quase 60% dos
entrevistados acreditam que as finanças melhorarão nos próximos seis meses.
Na Turquia, última colocada, esse indicador é de apenas 16%. O segundo lugar
é da Índia, onde 43% dos consumidores estão otimistas, seguida pela China,
com 40%.
O
bom momento, captado pelo Banco Central, é reflexo de um ganho real (acima da
inflação) de 5% na renda dos trabalhadores ao longo do último ano. Com mais
dinheiro no bolso e os incentivos dados pelo governo, veio a
disposição para ir às compras. Divulgado ontem pela Confederação Nacional do
Comércio (CNC), o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) abriu 2012
com alta de1,8% na comparação com dezembro e de 0,3%
em 12 meses, após três quedas seguidas.
No
segmento de bens duráveis, a disposição para o consumo cresceu acima da média
para o mês (4,6%), puxada pela redução, no fim do ano passado, do Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI) de fogões, máquinas de lavar e
geladeiras. "Esses resultados indicam que o esfriamento do mercado de
trabalho ainda não comprometeu a confiança das famílias", disse Bruno
Fernandes, economista da CNC. Prova disso é que o indicador de perspectiva
profissional cresceu 3,5% na comparação com igual período do ano passado, com
destaque para o Sudeste, onde a variação foi de 8,1%. Na comparação mensal,
52,8% dos entrevistados consideram o emprego mais seguro do que em dezembro.
Mas
não são apenas itens para a casa que os brasileiros querem comprar. O
levantamento do Credit Suisse
mostra que, no topo da lista de produtos e serviços mais procurados, estão
computadores, smartphones e acesso à internet. "Os consumidores passaram
a direcionar os gastos para itens que não são de primeira necessidade, como
os de tecnologia", ponderou Andrew Campbell, analista de ações do Credit Suisse.
Nem
mesmo o aumento das despesas típicas do início de ano, como material escolar,
Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e Imposto Predial
e Territorial Urbano
(IPTU), impediu o indicador de consumo atual de
crescer acima da média no período: 4,1%. De olho no potencial de consumo do
Brasil, a Sony, por exemplo, reduziu ontem os preços de um grupo de produtos
em até 25%.
Equipamentos
A expectativa de consumo maior é reforçada pela ascensão das classes C e D.
Sozinho, o reajuste do salário mínimo para R$ 622 a partir deste mês injetará
R$ 47 bilhões na economia. Além disso, o indicador de acesso ao crédito subiu
1,3% em janeiro. "O incremento de renda para os trabalhadores servirá
para que a economia ganhe um impulso no começo de ano. A maior parte desse
dinheiro será destinado às compras, sejam elas de
equipamentos eletrônicos ou de eletrodomésticos. Boa parte também será usada
em reparos de itens pessoais, smartphones, tênis e roupas", afirmou
Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular.
Na
avaliação da economista Zeina Latif, contudo, a
tendência para os próximos meses é de crescimento mais suave e gradual do
consumo do que o observado em janeiro, sobretudo devido aos efeitos da
estagnação econômica na Europa. "O cenário exterior ainda afeta a
confiança dos empresários, os investimentos, a contratação de mão de obra e a
renda dos trabalhadores. É um efeito dominó", alertou. Bruno Fernandes,
da CNC, complementou que o ciclo de redução nos juros iniciado em agosto — que
pode continuar hoje com o anúncio de mais uma queda de 0,5
ponto percentual na taxa básica (Selic) — só será percebido pelos
consumidores a partir do segundo semestre. "No curto prazo, a demanda
doméstica deve seguir em ritmo lento."
Impacto
O reajuste de R$ 77 no salário mínimo representa um aumento de 14,1% na renda
de 48 milhões de trabalhadores, o maior desde 2006. Cálculos do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que o
governo arrecadará R$ 22,9 bilhões a mais em impostos sobre produtos e
serviços consumidos por esses trabalhadores. O impacto do novo mínimo será
sentido especialmente nas administrações municipais da Região Nordeste, onde
22% dos trabalhadores ganham o piso. Em segundo lugar vêm as prefeituras do
Norte, onde 17,9% dos funcionários ganhavam, até o mês passado, menos de R$
622.
Autor(es): » GUSTAVO
HENRIQUE BRAGA
Correio Braziliense - 18/01/2012